Acredito ser de conhecimento de todos a verdadeira indústria de esmolas que se instalou em nossa cidade. Não conseguimos sequer abrir o portão de casa para colocar o lixo para fora sem que tenha uma criança de plantão para perguntar: “Tem alguma coisa para dar”. Nos semáforos então o novo esporte parece ser a ferrenha disputa que fazem os “necessitados” para debruçar na janela do carro para pedir uma moeda. A nova modalidade agora é aguardar-nos na porta de qualquer estabelecimento - restaurantes, lojas, academias - e já dar o “bote” antes de que possamos entrar e desembolsar qualquer valor em qualquer lugar.
Também acredito que a maior parte de nós, munícipes, tem a consciência da miséria e pobreza que se alastra a passos cada vez maiores em nosso mundo, mas vamos e venhamos: estamos mesmo ajudando alguém dando uma esmolinha ou estaríamos apenas comprando nossa consciência por uma pequena pechincha ? Será que aquele pai sentado na sombra de uma árvore fiscalizando o “trabalho” de suas crianças desejará algum dia “agarrar no batente” podendo ficar em casa só tentando produzir mais filhos para que possam pedir mais e mais? Que tal se começarmos a seguir bons exemplos de pessoas que dirigem seu autruísmo para instituições que tem por objetivo educar, prover, ajudar verdadeiramente e ver sua doação bem aplicada, seu tempo valorizado. Existem hoje cidades, como Curitiba, onde se instalou em cada cruzamento uma placa de advertência, solicitando que não se dê esmolas, pois isso traz um custo enorme para o município com orgãos, departamentos, etc que deverão depois cuidar dessas crianças, fora o risco de que o pedinte seja na verdade um meliante se favorecendo de uma situação para praticar seus crimes. Importante ressaltar também que boa parte da arrecadação as próprias crianças utilizam para comprar cigarros ou cola, para jogar em vídeo games etc..
Já está na hora de acordarmos para uma realidade que salta aos olhos e assalta aos bolsos, pois evitando-se dar esmolas podemos estar contribuindo para uma melhora da segurança nas ruas, podemos estar ajudando a coletividade, já que é sabido que o contingente de pedintes é o único indício do “espetáculo do crescimento” propalado pelo governo, vamos ajudar, SIM, mas com empenho, objetivo claro, sem preguiça ou “compra de consciência”, para que possamos deitar a cabeça no travesseiro com a certeza de não termos contribuído para a formação de mais um necessitado profissional.
Marco Labão - mlabao@terra.com.br