Como em todos os anos, desde o seu alvorecer, o cristianismo volta a viver tempos quaresmais, representados pelo lapso de 40 dias que vai de Quarta-feira de Cinzas até o domingo de Páscoa, passando rapidamente pelo de Ramos, um e outro instituídos pelos preceitos religiosos para memorizar eternamente a ressurreição de Cristo. E aí estão as celebrações, momento oportuno para que se façam em seu torno as devidas lembranças, relembrando os povos quanto à sua extraordinária significação na existência de cada um. Como a historiam os clérigos?
Destacam-se explicando que a Quaresma “constitui atitude do coração, da mentalidade espiritual, da motivação das pessoas no pensar e no agir e, por isso, igual à Páscoa, irradia absoluto triunfo sobre os pecados humanos, sendo, portanto, algo que melhora o quilate do mundo interior”. E completam: “Como Páscoa significa Cristo em nós, a preparação dos seres para ela deve visar inteiro contato pessoal com Ele, tendo de acompanhar toda a organização feita para a sua festa, através da qual as existências tenham mais íntimo relacionamento social, representado por total fraternidade, respeito e amor para com o próximo, numa solene imitação do Filho do Homem”, que, após sua ressurreição, esteve 40 dias junto com seus seguidores, no cume do Monte Santo, batendo-se contra as vicissitudes das tentações, inimigas da vida e da sua inserção entre os povos, daí a razão pela qual a Igreja, formada segundo a mente e a santidade de seu fundador, assumiu o canon das quatro dezenas de dias da Quaresma, tradicionalmente levados a sério, por todas as gerações, séculos sem fim, através da festa das festas, poeticamente intituladas de cânticos do irmão Sol.
Realmente, trata-se de uma imagem tão antiga como o mundo, apresentando a vida sob a forma de uma montanha, que é preciso galgar para que a humanidade seja fortalecida na fé e na esperança da sua própria ressurreição contra à violência e o desamor, pois é tempo de se auto-interrogar: se Deus é por nós, quem será contra nós? É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
“O dia passa mensagem para outro dia e a noite a transmite para outra noite, dando seqüência à caminhada do mundo. Salmo 19,3”.