As lideranças petistas de Bauru divergem sobre a crise política instalada no Palácio do Planalto, que tem como protagonista o ex-assessor Waldomiro Diniz, flagrado pedindo propina a empresário do jogo. Diniz trabalhava no gabinete do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Para a presidente da executiva municipal do PT, Estela Almagro, o fato é isolado e não atinge o partido. Sua opinião é compartilhada pelo vereador José Carlos Batata (PT).
“Não há crise política no PT. O que aconteceu é um ato isolado. Acho que as decisões que precisavam ser tomadas, o foram. O assessor foi demitido, os processos de investigação foram instalados nos locais do fato, que ocorreram no Rio de Janeiro. Esse senhor não é dirigente e muito menos filiado ao PT. Portanto, isso não é problema do partido”, analisa Estela.
Na opinião dela, é preciso mais cuidado por parte dos ocupantes de cargos estratégicos na indicação de seus assessores. “Mas isso que aconteceu ocorre em qualquer esfera”, diz. Para a dirigente, o governo segue seu destino independente do registro dos últimos acontecimentos.
A avaliação da dirigente petista é reforçada pelo vereador José Carlos Batata. “O presidente Lula baixou uma Medida Provisória proibindo o funcionamento de bingos em todo o País. Do ponto de vista judicial, o inquérito federal foi aberto. A Procuradoria da União também está no caso no sentido de se apurar tudo o que aconteceu. O Ministério Público, a Polícia Federal e o Judiciário vão esclarecer essa situação”, afirma.
O parlamentar não acredita que o PT, enquanto instituição política, tenha sofrido desgastes com a situação. “Na verdade, o PT sempre teve consigo a bandeira do combate a impunidade, a corrupção. Esse caso em específico não atinge o PT. A ação do Waldomiro ocorreu em 2002; o governo federal ainda não era do PT - era do presidente Fernando Henrique Cardoso. O que aconteceu é que o Waldomiro foi nomeado num cargo importante na Casa Civil. Mas o fato é anterior ao governo Lula”, reforça.
Explicações
Mas a avaliação de Estela e Batata não é unanimidade no PT de Bauru. Os sindicalistas Roque Ferreira e Jesus Garcia divergem da opinião dos companheiros de partido. Ferreira defende que o ministro José Dirceu compareça ao Congresso Nacional para explicar publicamente a situação na qual foi envolvido pelo seu ex-assessor Waldomiro Diniz.
“A melhor saída é a que foi proposta pelo senador Eduardo Suplicy: o ministro deve ir ao Congresso explicar o conjunto dessa situação. Do resto, quem tem que investigar é o Ministério Público”, afirma.
Na opinião de Ferreira, o caso criou um sério constrangimento no núcleo do governo. “Temos que separar o partido do governo. O PT é o partido majoritário que compõe. Era um risco que a própria cúpula do PT quis correr ao fazer esse amplo leque de alianças e trazer para dentro do governo setores que não tinha essa cultura petista”, critica.
O sindicalista lembra que Diniz tinha acesso ao Palácio do Planalto e terá que responder pelos atos praticados. “Não vou ser leviano, mesmo tendo divergências profundas com o núcleo central do governo, comandado pelo ministro José Dirceu, de transformar esse fato em instrumento de luta política. Acredito que o ministro desconhecia as ações praticadas pelo Diniz, mas isso não o isenta de um sério constrangimento.”
Para Ferreira, o caso deve servir de lição para “algumas figuras do partido”. “Essas figuras estavam muito seduzidas pelo império do poder. Espero que desçam e coloquem os pés no chão.”
Além de compartilhar da mesma opinião de Roque Ferreira, Jesus Garcia defende que as investigações sejam aprofundadas. “Essa é a única maneira que vejo de o PT manter sua credibilidade perante a população. Não tem conversa.” Garcia avalia que o desgaste no partido provocado pelo caso é inevitável.
“Acho que o presidente Lula acertou ao determinar o fechamento dos bingos, muitos dos quais relacionados com a corrupção. Mas isso não isenta o PT de providenciar uma investigação aprofundada do caso”, reforça.