30 de maio de 2026
Leonardo de Brito

Fechamento das casas de Bingos


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Estão impedidas de funcionar todas as casas de bingo de todo o País. Essa medida, determinada pelo presidente Lula, causou mais impacto do que surpresa. O que motivou o fechamento dos bingos foi o escândalo provocado pelas denúncias contra o subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, Waldomiro Diniz. As reações contra a medida presidencial estão sendo extremamente contraditórias. Os mais assíduos freqüentadores das casas de bingo condenam a medida como arbitrária, ignorando as denúncias de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, duplicação de cartelas e outras irregularidades. O bingo, embora considerado contravenção, sempre foi praticado em âmbito familiar, quermesses e promoções filantrópicas. Sem quaisquer restrições. O que, naturalmente, resultou na abertura das casas de bingo, que se tornaram verdadeiros cassinos, que logo se expandiram para as cidades médias da região metropolitana e do Interior. E passaram a movimentar milhões de reais. E a viciar milhares de pessoas, principalmente do sexo feminino. Para a maioria dos freqüentadores das casas de bingo, o vício resultou em sérios problemas financeiros. A expansão das casas de bingo em todo o País, ocorreu sem qualquer repressão das autoridades policiais. O sucesso do bingo incentivou a instalação de máquinas caça-níqueis. Em Bauru foram instaladas várias casas de bingo, bastante freqüentadas e ativas. Agora, por força de uma denúncia evolvendo um membro do governo, o presidente Lula decidiu, abruptamente, fechar as casas de bingo. É caso de perguntar: até onde chegaria a expansão do bingo se não fosse o escândalo da propina? Se os donos das casas de bingo sonegavam impostos, lavavam dinheiro, emitiam recibos em branco, duplicavam cartelas, etc., por que as autoridades policiais e o Ministério Público não agiram com mais antecedência? Por que foi permitida e tolerada a instalação das casas de bingo em todo o País? A pergunta procede, pois o verbo proibir não poderá ser associado ao verbo permitir. O mal cresceu porque não foi cortado pela raiz. É oportuno observar, no entanto, que a medida assinada pelo presidente Lula é provisória. E o que é provisório poderá ser extinto. Talvez o mal não esteja propriamente no bingo, mas na exploração desbragada de um jogo que a maioria dos viciados considera simplesmente uma forma de lazer. O escândalo da propina terá, sem dúvida, novos desdobramentos. (César Ferreira, presidente do Fórum de Discussões de Bauru)