O sistema de telemarketing está sendo um grande aliado das instituições assistenciais. Os telefonemas têm rendido dividendos que ajudam a manter o atendimento dessas entidades, cada vez mais dependentes da doação da comunidade.
A Sociedade de Reabilitação e Reintegração do Incapacitado (Sorri), por exemplo, viu as doações que recebe dobrar depois da implantação do serviço. “Antes, tínhamos doadores semestrais, anuais, mas era difícil arrumar alguém que desse donativo todo mês. Com os telefonemas, essa história mudou”, explica a administradora da entidade, Maria Elisabete Nardi.
Ela não soube dizer o total arrecadado mensalmente com o telemarketing, mas diz que a situação tem sido muito positiva para a instituição.
Cinco operadoras trabalham para a Sorri, revezando-se em turnos. Elas ligam para os potenciais contribuintes, apresentam a campanha da entidade e pedem uma contribuição. “A receptividade tem sido muito boa”, diz Dirce Moreira de Souza Paulo, que trabalha há dois anos na Sociedade.
Ela acredita que esse retorno se dá devido à credibilidade da Sorri. “As pessoas conhecem a instituição e, mesmo quando não podem atender naquele momento, são educadas e pedem para ligar outra hora”, diz.
Enquanto para as entidades sociais o retorno é positivo, as empresas já não apostam tanto nesse sistema para divulgar seus produtos. A diretora de comunicação de uma rede de escolas, que preferiu não se identificar, diz que não costuma usar esse meio de divulgação para angariar novos clientes. “Nós já testamos e vimos que não dá resultado”, destaca.
Ela conta que chegou a terceirizar o serviço, mas nem assim deu certo. “Quando fizemos isso, o problema foi a falta de intimidade dos operadores de telemarketing com o nosso produto, o que prejudicou a divulgação.”
A diretora acredita que esse formato de marketing está ultrapassado, principalmente porque o público não tem mais paciência para ouvir o que o operador tem a dizer.
De acordo com informações do Serviço de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-SP), quando bem feito, o telemarketing pode ser um poderoso aliado.
Além disso, o conceito é mais amplo do que se imagina. Mais do que telefonemas de divulgação de produto, encaixa-se como telemarketing a idéia de call center, ou seja, serviços de atendimento ao consumidor.
Este segundo é denominado receptivo e, segundo o Sebrae, é muito bom para conquistar clientes. “Quando a pessoa entra em contato com a empresa, é porque já tem algum interesse pelo produto”, diz um material explicativo da entidade.
Já o ativo, que é o mais conhecido, não é muito recomendado. “O custo é alto e a receptividade do cliente em potencial é baixa”, diz o Sebrae.
Em ambos os casos, a entidade lembra que é necessário um rigoroso treinamento dos operadores, para que eles saibam a melhor maneira de tratar o cliente.
O que é telemarketing?
É um conjunto de técnicas para uso das teles como ferramenta de comunicação e vendas no mercado. As mídias utilizadas são: telefone, telex, fax, videoconferência, Internet, quiosque multimídias, tevê e rádios com anúncios imediatos.
Telemarketing receptivo: é estruturado para receber ligações dos clientes.
Telemarketing ativo: é quando a empresa promove o contato direto com o cliente.