08 de julho de 2026
Polícia

Golpes eletrônicos aumentam 275%

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 5 min

Quem pensa que está seguro ao usar o computador ou falar ao telefone, deve ficar atento. Nos últimos dois anos, as fraudes via Internet cresceram 275%, de acordo com dados do Comitê Gestor de Internet, órgão do governo federal, divulgados pela Agência Brasil. Quanto aos golpes via telefone, não há uma estatística que mostre o crescimento, mas as ligações de caráter duvidoso fazem parte do dia-a-dia de muitas pessoas.

O titular da Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra), JJ Cardia, diz que não há registros de boletim de ocorrência para apurar esse tipo de fraude, mas que isso não quer dizer que elas não aconteçam. “A maioria dos usuários de Internet consegue distingüir uma mensagem perigosa, mas, mesmo assim, todo cuidado é pouco”, diz.

A rede mundial de computadores abre as portas da privacidade do usuário para todo o Planeta. Ao se conectar, o internauta fica vulnerável a qualquer tipo de contato virtual, com pessoas do mundo inteiro. Assim como na vida real, há pessoas bem e mal-intencionadas.

“Depois da popularização da Internet, os golpes se espalharam rapidamente e acontecem com mais freqüência”, explica o professor de informática e coordenador do curso de sistemas de informação da Universidade do Sagrado Coração (USC), Ronaldo Martins da Costa.

De acordo com ele, as fraudes mais comuns são aquelas que se apresentam usando nome de bancos. “A idéia é conseguir a conta e a senha do usuário para furtá-lo”, destaca.

O Comitê Gestor de Internet alerta que os ataques somam 4,8 mil casos mensais. As máscaras para os golpes são as mais variadas: vão desde cadastramento de bancos até brindes de lojas e empresas aéreas.

Um dos exemplos mais recente é o e-mail falso que usava o nome da Receita Federal. Aproveitando-se da divulgação do programa de Imposto de Renda, que já está online, o golpista lançou uma outra mensagem. Esta oferecia links (ligações diretas) com o serviço de recadastramento do Cadastro de Pessoa Física (CPF) e da Pessoa Jurídica (CNPJ).

Ainda não se sabe como o fraudador pretendia usar esses dados, mas não é difícil imaginar o que uma pessoa mal-intencionada pode fazer tendo em mãos o CPF, o nome e o endereço de alguém.

A Receita Federal esclareceu, através de seu departamento de informática, que não manda e-mail para ninguém e que qualquer tipo de mensagem nesta linha deve ser desconsiderada.

E-mail é carta

De acordo com o professor Ronaldo Martins da Costa, o que leva algumas pessoas a cair nos golpes e fornecer informações via Internet é a inocência. “Alguns internautas não se dão conta que o correio eletrônico é como o correio normal, ou seja, e-mail é carta”, diz.

Ele conta que dificilmente as pessoas responderiam a uma correspondência física que pedisse dados pessoais. “O mesmo cuidado deve ser adotado com as correspondências virtuais”, salienta.

Além de ficar atento com relação a esses e-mails, que visam roubar dados sigilosos, o internauta deve tomar cuidado com as mensagens que enviam o vírus Cavalo de Tróia. Perigoso, ele instala um programa no computador do usuário que permite que ele seja espionado pelo remetente. “Esse tipo de problema está mais raro de ocorrer, mas, mesmo assim, todo cuidado é pouco”, alerta Costa.

Ligações perigosas

O perigo também pode chegar através do aparelho telefônico. Na última semana, dois moradores de Bauru procuraram a polícia, desconfiados, depois de receber telefonemas em nome da Telefonica.

De acordo com eles, pessoas que se faziam passar por funcionários da empresa ligaram em suas casas e esmiuçaram a sua vida econômica, querendo saber informações pessoais tais como número de aparelhos de eletrodomésticos, entre outras coisas.

Apesar do caráter suspeito, a Telefonica acabou esclarecendo, na última quinta-feira, que tratava-se realmente de uma pesquisa em domicílio e que as pessoas que estavam telefonando e indo até a casa de seus clientes, tinham ligação com a empresa.

O empresário e vereador João Parreira de Miranda diz que já foi vítima de golpes via telefone. Segundo ele, várias vezes foi procurado por pessoas que alegavam trabalhar para entidades assistenciais. “Elas queriam me vender algum produto, usando como argumento que o dinheiro arrecadado seria destinado à instituição a qual pertencia”, conta.

Ele diz que desconfiou dessa prática e pediu para a pessoa dar o número do telefone e o endereço da instituição. “Quando aconteceu isso, o golpista desligou o telefone”, diz.

Preocupado, Parreira chegou a denunciar os telefonemas à polícia. “A gente tem sempre que checar de onde vem a informação e se ela é verídica”, orienta.

O coordenador do Procon - órgão de defesa do consumidor -, Silvio Orti, alerta a população para sempre ficar atenta às informações que recebe. “Se a oferta for muito boa, desconfie, mesmo que tudo leve a crer que trata-se de um fato verídico. As artimanhas são as mais variadas possíveis”, ressalta.

Pesquisa verdadeira

A Telefonica enviou nota de esclarecimento ao Jornal da Cidade, afirmando que os telefonemas que geraram dúvidas em seus clientes eram verídicos. Leia na íntegra:

“Em relação à reportagem ‘Polícia alerta população sobre uma nova modalidade de golpe’, publicada na edição de 25/02 deste jornal, à página 5, a Telefonica reforça a informação de que não faz visitas em domicílio de clientes sem o consentimento e/ou solicitação dos mesmos. Além disso, a Telefonica não entra em contato com clientes para solicitação de documentos e nem pede para que pessoas digitem seqüência de números em seus telefones para efeitos de testes ou pesquisa.

A Telefonica esclarece que, entre os dias 15 e 24 deste mês (fevereiro), dois consultores independentes foram contratados para realizar uma pesquisa de hábitos e costumes. Essa atividade é comum na estruturação de programas de relacionamento com o consumidor, que visam aprimorar os serviços e canais de atendimento aos nossos clientes.”