08 de julho de 2026
Geral

"Águas de março" fecham o verão

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

O verão - a estação mais badalada do ano - está com seus dias contados a partir de hoje, 1 de março. Na madrugada do próximo dia 20, às 3h49, começa o outono, a estação de transição entre o verão e o inverno. Já no final deste mês, as chuvas - ou as ‘águas de março’ imortalizadas na voz de Tom Jobim e Elis Regina - vão escassear e a umidade relativa do ar e a temperatura vão começar a cair gradativamente. Surgem as primeiras massas de ar frio. É o aviso da natureza para a mudança de cenário.

Segundo a meteorologista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Zildene Pedrosa, a partir de abril a média de temperatura já dá sinais de queda. Em 1999, por exemplo, a mínima registrada no mês foi de 5,6ºC.

O clima mais frio, o ar menos úmido e chuvas esparsas esboçam um cenário de seca. De acordo com Zildene, a média histórica de chuvas no período compreendido entre 1998 a 2003, de março a junho, mostra a regularidade da natureza. Em março, apurou-se uma média de 131 milímetros (mm) de chuvas; abril, 74 mm; maio, 59 mm; e junho 53 mm.

O registro do termômetro também mostra a variação das temperaturas. A média diária histórica do outono na região de Bauru é de 23ºC. A temperatura mínima oscila de 11ºC a 13ºC. A umidade do ar cai de 75% para 65%. Os nevoeiros surgem como novos componentes das auroras outonais. A estação obriga a mudança de hábitos e comportamentos.

Fim da piscina

Os últimos dias de verão ainda estão sendo aproveitados quase que por inteiros pelos associados dos clubes de Bauru. Ontem, o dia amanheceu ensolarado. O sol forte convidou os fãs de piscinas para um banho. Para quem gosta do cenário, foi um dia e tanto. Nem mesmo as pancadas de chuvas passageiras, típicas da época, tiraram o ânimo dos freqüentadores de clubes.

A promotora de vendas Gil Alves de Lima não perdeu tempo ao acordar na manhã de ontem e imaginar que as três grandes piscinas do Serviço Social do Comércio (Sesc) estavam à sua espera.

Tratou de arrumar a sacola com os apetrechos necessários, o biquíni última moda e partiu ansiosa para o clube imaginando os mergulhos para se resfrescar. “O verão é a melhor estação do ano. Pena que vai acabar. E com ele, a oportunidade de pegar um bronzeado”, queixa-se.

Veterana dos ladrilhos azuis, ela conta que, embora o outono esteja agendado para começar no próximo dia 20, ainda será possível se deliciar com muito sol e água fresca até meados de abril. A partir daí, o vento mais frio já começa a arrepiar a pele, se tornando um incômodo.

Sua colega de toalha estendida ao chão, a auxiliar de laboratório Priscila de Assis, também é fã do verão e dos biquínis última moda, um convite ao desfile pelas bordas das piscinas do Sesc.

“O verão é uma estação cheia de vida. O outono e o inverno deixam as pessoas mais chiques. Mas é um período em que, por exemplo, perco cor e começo a desbotar”, reclama.

Priscila, que também é assídua freqüentadora do clube, antecipa a retirada da temporada para este mês. “No final de março já começa a ventar frio, embora ainda tenha sol forte. O máximo que dá é pegar um bronzeado, mas sem piscina”, conta.

Na mesma onda de avaliação segue a estilista Valéria Zimmermann. “Cheguei às 10h”, relata, debaixo de um sol já a pico de meio-dia, cujo termômetro riscava a faixa dos 30ºC. “Vou embora por volta das 4 da tarde”, diz, olhando para o relógio, calculando o tempo que ainda lhe restava.

Se o verão é sinal de descontração para uns, para outros é motivo de preocupação. O salva-vidas Rui Everaldo da Silva conta os dias para chegar o outono, estação em que o fluxo de associados às piscinas do Sesc diminui consideravelmente.

“Já chegamos a ter no parque das piscinas cerca de 2 mil pessoas. Não é fácil ficar de olho em toda essa gente”, comenta. A partir do outono, a freqüência dos associados cai vertiginosamente, para alívio do salva-vidas.

Para quem prefere dar um mergulho uma vez ou outra, o clube é uma atração durante o ano inteiro. Sem se incomodar por estar perdendo o sol e a água fresca das piscinas do Bauru Tênis Clube (BTC) de campo, a estudante Dandara Ly Amaral Crivellaro aproveitou o dia para curtir a vegetação de cerrado que ainda sobrevive aos arredores do local.

“Para mim, tanto faz ser verão ou outono porque freqüento sempre o clube”, diz, versão confirmada pela mãe, a assistente social Vanessa Ly Amaral Crivellaro. “Freqüentamos o BTC de campo praticamente todos os dias porque malhamos na academia”, relata Vanessa. Com sol de verão ou de outono, o BTC de campo já é considerado a segunda casa de mãe e filha.