08 de julho de 2026
Geral

Caramujos africanos invadem PVA

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Moradores do Parque Vista Alegre estão alarmados com o aparecimento de grandes caramujos de uma espécie africana em seus quintais, nas últimas semanas. Eles relatam que os moluscos, que chegam a aproximadamente dez centímetros de comprimento, são vistos principalmente à noite e no começo da manhã, e comentam que têm medo destes animais serem transmissores de doenças, o que pode ocorrer.

De acordo com o aposentado Alino Coppi, morador da Alameda dos Lírios, os caramujos estão se proliferando em uma residência abandonada na quadra 6 da Alameda da Primavera, onde um grande quintal foi completamente tomado pelo mato. “Também tem entulho e lixo no quintal, de onde os bichos vêm. Quando a gente não encontra vários deles andando pelo muro, vê aquele rastro nas calçadas”, diz.

A dona-de-casa Silmara Martins de Góes é vizinha da residência de onde os caramujos estão surgindo, e que estaria abandonada há mais de sete anos. “Quando chove, principalmente, o meu muro fica cheio deles. A quantidade de caramujos é tão grande que a gente chega a encher dois saquinhos de lixo com eles. Às vezes, eles chegam a atravessar o meu quintal e passar para o outro vizinho”, afirma.

Ela comenta que recolhe os moluscos para que seus cachorros ou mesmo seus filhos não tomem contato com eles. “As crianças têm medo e não chegam perto, mas tenho receio dos cachorros lamberem um deles e serem contaminados com alguma doença e, depois, até passar para a gente”, aponta.

Segundo José Rodrigues Gonçalves Neto, chefe do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), estes caramujos gigantes são de uma espécie africana e não há confirmação sobre a maneira como eles chegaram ao Brasil. “Provavelmente, a espécie foi introduzida por pessoas que faziam curso de criação de scargot, mas este caramujo não é o scargot, não se presta como alimento. Pessoas com poucos escrúpulos davam o curso, vendiam as matrizes (primeiros caramujos reprodutores) e até se ofereciam para comprar a produção, mas sumiam depois de receber o pagamento”, indica.

Segundo Gonçalves Neto, o problema não ocorre apenas em Bauru. Diversas cidades do litoral e algumas áreas da Capital também passam por infestação desta espécie. “O caramujo gigante africano é uma espécie exótica no Brasil, sem inimigos naturais, extremamente prolífico - bota de 300 a 500 ovos a cada postura - e com proliferação fora de controle”, afirma.

Ele explica que esta espécie não suporta o calor do sol e, por isto, é mais visto pela população à noite ou em dias nublados, quando sai de seu abrigo em busca de alimentos. Os caramujos apresentam risco de transmissão de verminoses apenas se forem ingeridos ou se a pessoa alimentar-se com uma verdura ou legume sobre o qual o animal tenha passado.

“Se colocou a mão nele e colocar a mão na boca, por exemplo, e ele estiver infectado com algum verme, pode ser perigoso. No entanto, ele é tão perigoso quanto aquelas lesminhas que encontramos nas hortas”, diz Gonçalves Neto.

Por conta disso, o chefe do CCZ orienta que as verduras e legumes sejam higienizadas corretamente e lavadas em água corrente. Para recolher os animais sobre os muros ou no quintal, uma luva ou um saco plástico pode ser usado para proteger as mãos. E para matá-los, o ideal é enterrar os moluscos ou colocá-los em um balde com água e sal, o que vai fazê-los morrer por desidratação, e depois jogar no lixo.

E para evitar a proliferação dos caramujos, a orientação é manter os quintais e terrenos limpos de lixo e entulhos e sem mato. Se a população notar algum foco de proliferação, o CCZ deve ser avisado.

• Serviço

O telefone do Centro de Controle de Zoonoses é (14) 3281-7034.