Jaú - A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jaú (47 quilômetros a Leste de Bauru) está averiguando denúncias de sonegação de impostos e adulteração de combustível em postos da cidade. O inquérito teve início no fim do ano passado e ainda não tem previsão de quando será encerrado.
De acordo com o delegado Benedito Antônio Valencise, chefe da Seccional de Polícia de Jaú, as denúncias foram apresentadas pelo Ministério Público (MP) e também por moradores, que desconfiaram dos baixos preços do álcool e da gasolina cobrados pelos postos da cidade.
De acordo com matéria veiculada na edição de ontem do JC, em Jaú o preço do litro do álcool é um dos mais baixos da região.
Enquanto a média no Estado é de R$ 0,878 o litro, em Jaú a mesma quantidade sai por R$ 0,761, em média. De acordo com levantamento semanal da Agência Nacional de Petróleo (ANP), o preço mais baixo encontrado na cidade é de R$ 0,629.
No entanto, a reportagem foi informada ontem de que há posto vendendo o litro do álcool a um preço ainda menor - R$ 0,59.
Segundo o presidente da Associação dos Postos de Gasolina e Álcool de Jaú e Região, Edson Gomes de Lima, o litro do álcool está sendo vendido pelas distribuidoras a R$ 0,68, em média.
Os postos que vendem o combustível abaixo desse valor, na opinião dele, estão tendo prejuízo ou estão comprando álcool de forma ilegal.
Em Bauru, o produto é vendido em média a R$ 0,985, cerca de R$ 0,11 mais caro do que a média de preço cobrada no Estado.
Embora o inquérito policial ainda esteja em andamento em Jaú, o delegado Valencise adiantou que os dados coletados até agora reforçariam as suspeitas de irregularidades.
Entretanto, ele preferiu não revelar que tipo de informação a polícia recebeu até o momento para não atrapalhar as investigações. O inquérito está sendo conduzido pelo delegado Edmilson Marcos Bataier, titular da DIG.
Guerra de preços
Enquanto a DIG não conclui o inquérito, os postos de combustíveis de Jaú continuam se digladiando para conquistar ou, pelo menos, manter consumidores.
Uma guerra que o presidente da associação dos postos considera injusta. “A briga, neste caso, é com empresários que não estão preocupados em manter a qualidade do produto nem em atender bem o cliente”, reclamou.
Segundo ele, para poder baixar o preço do álcool é preciso vender um produto também de baixa qualidade. “Você começa a comprar porcaria e vira bandido. Se não virar bandido, você perde porque não existe fiscalização”, desabafou Lima.
Ele, que também é dono de posto, lembra com saudade a época em que o preço do combustível era tabelado. “Naquela época, você ganhava o cliente na base do serviço extra, como lavagem grátis do veículo, ou com um bom atendimento”, comenta. “Quando o diferencial é o preço, a qualidade cai”, afirmou.
Postos fechados
Só neste ano, quatro postos de combustível já fecharam as portas, provavelmente por causa de dívidas com fornecedores. “Se a situação não mudar, outros também vão fechar”, prevê Lima.
Na avaliação do presidente da associação, a redução da margem de lucro só funciona quando um ou outro posto a coloca em prática.
“Se um posto baixa o preço sozinho, ele recebe um volume grande de consumidores e consegue manter o lucro. Mas se todos baixam, você vende a mesma quantidade e ganha menos”, comparou.