O preço do álcool em Bauru deve ser reduzido até o final desta semana, de acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) de Bauru, Sebatião Homero Gomes. A queda deve variar entre R$ 0,07 e R$ 0,10 para o consumidor.
“Os distribuidores já acenaram que vão repassar alguma coisa (redução) para a gente”, diz Homero. Segundo ele, houve uma pressão sobre as companhias distribuidoras para a redução dos valores. As conseqüências devem ser uma queda de preços generalizada entre os postos devido à concorrência e - o lado negativo - um possível aumento da sonegação fiscal no setor.
O empresário Edvaldo Tuschi, proprietário de postos de combustível na cidade, também confirma a queda. “Pelo menos uma distribuidora grande já baixou o preço para a gente”, diz. E acrescenta: “Eu acho que devido a essa pressão as outras companhias devem reduzir também”.
Até ontem, porém, o preço do litro do álcool hidratado continuava alto na cidade. De acordo com levantamento da Agência Nacional de Petróleo (ANP) divulgado ontem, referente ao período de 22 a 28 de fevereiro, o valor médio do álcool na bomba em Bauru era de R$ 0,982, praticamente o mesmo verificado na semana anterior. No Estado de São Paulo, a média de preços caiu mais significativamente de uma pesquisa para outra, passando de R$ 0,878 para R$ 0,831.
A pesquisa aponta que o preço médio cobrado pelas distribuidoras em Bauru é também menor do que a do Estado: R$ 0,53 contra R$ 0,593, respectivamente. Cruzando o preço de compra com o preço de venda, a ANP conclui que a margem média cobrada em Bauru é de R$ 0,452 - uma das maiores nas cidades paulistas.
O presidente do Sincopetro, no entanto, contesta o dado. “Eu não estou pagando isso, não”, diz. Segundo ele, o valor de compra está em torno de R$ 0,64, mas muitos proprietários de postos podem estar querendo compensar prejuízos anteriores. “O ano passado foi uma perda irreparável para a categoria”, afirma Homero. “Quando o mercado estabiliza, ninguém mais quer saber de agredir com preço”, completa.
Um empresário do setor de combustíveis da cidade, que preferiu não ser identificado, afirma que o levantamento da ANP não é confiável. Isso porque, segundo ele, a pesquisa não seria feita “in loco”, mas por telefone. Os números seriam distorcidos pelos postos que compram do chamado “mercado paralelo”.
Segundo o empresário Tuschi, a margem apontada pela ANP é alta. Em seus postos, diz, a margem média de faturamento com o álcool está sendo em torno de R$ 0,25 - valor que ele considera uma “margem correta”.
Ainda de acordo com Tuschi, o setor está percebendo uma certa pressão do poder público contra a sonegação. “A Secretaria da Fazenda recolheu todas as notas de compra de álcool do ano passado nos postos de Bauru”, declara.
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Taxistas
Vendo seus custos subirem na mesma proporção que o valor do álcool, taxistas de Bauru estão fazendo pressão pela diminuição dos preços. De acordo com os profissionais ouvidos pela reportagem, o sindicato da categoria está procurando um mecanismo para agilizar a redução dos valores.
O taxista Ubirajara Barata, há 12 anos na praça, afirma que gasta cerca de R$ 380,00 mensais com álcool. Quando comprou seu táxi, há cerca de dois anos, ele recorda que pagava R$ 0,69 no litro. “Esse preço é um problema gravíssimo para a gente, é o pão de cada dia”, diz.
Um fator agravante para o setor é que a redução de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto sobre Veículos Automotivos (IPVA), incentivos recebidos pelo taxista, estão atrelados exclusivamente ao carro a álcool.
Josino Fernandes Costa, taxista há 35 anos, conta que comprou seu veículo há cinco meses e transformou o motor de gasolina para álcool. Hoje, gasta em torno de R$ 400,00 mensais com combustível, mas não se arrepende da troca. Mesmo assim, considera o preço do álcool em Bauru “assustador”. “Na região toda está mais barato. Isso tem que ser investigado pelo Ministério Público (MP), para saber o que está contecendo”, declara.