Nessa maratona na qual vivo, paro, pois recebi vários telefonemas do Paulo Neves me convidando para mais um encontro nosso. Corro, mal pergunto se preciso providenciar algo... simplesmente me sinto segura em ir. E assim vou. No dia, lá está ele, todo de amarelo sorrindo (aquele sorriso tímido, mas receptivo, feliz por me receber, e tenho certeza que todos sentiram a mesma coisa). Na porta do teatro, meio que perdido aos envelopes... são tantos! Procura meu nome e eis que acha! Pergunto: Cadê o pessoal?
- Já está lá dentro. Falta você. (Que bom ouvir isso!)
- Paulo, meu marido e minha filha vieram juntos, tem como eles entrarem?
- Não há problema, (E ele imediatamente abre outros envelopes e prontamente nos conduz ao teatro). Local familiar a ele e agora estranho a mim!
Quando as luzes se acendem e começa o espetáculo, vejo-o sentado como nós mortais em meio aos convidados. Espectador de mais uma peça (real) por ele escrita. Nesse momento, voltei há 28 anos e o vi como sempre, ensinando o que tem de melhor, e depois sai de cena, para que nós possamos brilhar!
É assim, sempre o será... Fica lá no fundo olhando com seus olhos marejados, o coração disparado e sua pele arrepiada de emoção. Feliz por conseguir o sucesso e a vitória de mais um ser humano ou de vários. Feliz por conseguir mais um encontro nosso, para nós mesmos. (Ainda existe isso?) E fico pensando: “Que homem é este?” Não consigo defini-lo e sorrio por dentro, constatando: ele é realmente “humanum” com todas as letras e emoções. Aquela pessoa que tem prazer em proporcionar re-encontros - arte tão pouco oferecida pela vida e tão desejada por todos. Ele proporciona a mim o encontro maravilhoso de me permitir sonhar e acordar constatando que aconteceu comigo, sim. E, nesse momento, retorno ao meu teatro real, feliz, porque fiz. Permite que eu me deleite nesse sonho/realidade e mais, que eu possa dividir com meus pares teatrais e minha família, uma vitória. Vitória da vida!
Esta de encontros e re-encontros onde todos possamos apenas representar em nosso palco o que somos e o que queremos ser. Por esse momento, cada um de nós, falar de nós mesmos, de nossa família, sendo respeitados, assim nós, por nós mesmos. Sem críticas, apenas tendo a oportunidade de ser, pois temos em comum hoje, uma única coisa cravada no peito e na alma: fomos alunos do professor Paulo Neves e fizemos, juntos, “errare humanun est”.
Lucimeia S. Achôa - Sesi-Marília