25 de maio de 2026
Polícia

Mulheres denunciam mais as agressões

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Ao completar 17 anos de atividades em Bauru, a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) “comemora” a conscientização das vítimas de agressões. Ano a ano, a delegacia vem computando mais registros, o que segundo a delegada de polícia titular da DDM, Rejane Borro Ortiz Tiritan, está diretamente relacionado à coragem das mulheres de denunciar agressões e ameaças.

“Não temos levantamento estatístico especificamente sobre os números de casos em que mulheres denunciam ameaças (antes de ocorrer a agressão) recebidas de seus maridos, namorados ou companheiros. Mas posso afirmar que o crescimento é notável a cada ano que passa”, afirma Rejane.

Segundo ela, a denúncia da ameaça é a maior aliada das mulheres nestes casos, já que a prática comprova que, quanto mais cedo é feita a denúncia, menores são as chances da mulher sofrer a segunda ou até mesmo a primeira agressão com lesão corporal.

“Com um intenso trabalho de divulgação, prevenção e campanhas educativas, com o passar dos anos as mulheres foram perdendo o medo e a vergonha de nos procurar e denunciar. A chamada propaganda boca-a-boca de mulheres que recorreram à DDM e conseguiram resolver seu problema também tem sido muito importante para estimular outras vítimas a fazer o mesmo.”

De acordo com Rejane, inaugurada em 6 de março de 1986 a DDM de Bauru foi uma das pioneiras no Interior do Estado de São Paulo. Ainda hoje, o maior número de registros é de lesão corporal. Deste total, 90% referem-se a mulheres - a maioria com idade entre 20 e 40 anos - agredidas fisicamente pelos parceiros. Segundo a delegada, quanto mais velhas, menos as mulheres agredidas procuram por ajuda. “É uma questão cultural”, diz Rejane.

“No início das nossas atividades, as lesões corporais eram mais graves. Hoje em dia, a maioria delas são aquelas tecnicamente classificadas como lesões leves. Outro fator importante nisso tudo é que também tem aumentado o número de mulheres que não têm mais medo de nos procurar quando o agressor ameaça atitudes ainda piores se elas procurarem a polícia”, ressalta a delegada.

Mensalmente, a DDM registra uma média de 300 ocorrências. Somando o total de registros feitos desde 1987 até 29 de fevereiro deste ano, o número passa de 45 mil.

Ciam

Também atuando em defesa da mulher - há oito anos -, o Centro Integrado de Atendimento à Mulher (Ciam) compartilha da análise feita pela DDM em relação à maior conscientização das vítimas de agressões, sejam corporais, verbais ou psicológicas. O órgão, ligado à Prefeitura Municipal de Bauru, tem por objetivo oferecer apoio psicológico, jurídico e social às mulheres carentes.

“Aqui no Ciam nós também percebemos um aumento da procura por ajuda. Além das lesões corporais, também temos muitos casos de abandono material, que é quando o pai separado deixa de pagar a pensão alimentícia dos filhos”, aponta a coordenadora do Ciam desde 1999, Geni Aparecida Destro.

De acordo com a estatística do órgão, no ano passado os casos de abandono material atendidos pelo Ciam somaram 352, mas a ocorrência que liderou o ranking de 2003 foi a violência psicológica/moral: 399 registros. Os registros de violência física ficaram em quarto lugar, somando 152 ao longo do ano passado.

• Serviço

O telefone da DDM é (14) 3226-3088. No Ciam, o contato é (14) 3235-1445.

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Campanha

A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) concluiu ontem mais uma etapa da campanha de arrecadação de material escolar que está desenvolvendo, fazendo a entrega de mais uma parte do montante arrecadado. Ao todo estão sendo beneficiadas 25 entidades, o que faz com que a iniciativa beneficie cerca de 3 mil crianças carentes.

Ao todo, foram arrecadadas quatro toneladas de material escolar, entre cadernos, livros didáticos, apostilas, lápis, canetas, borracha etc.

Entre as entidades beneficiadas estão Casa da Esperança, Paróquia da Sagrada Família, Comunidade União em Amor (Comuna), Casa do Garoto, Creche Bom Pastor, Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem), Centro de Valorização da Criança (Cevac), Grupo Amor e Caridade e muitas outras.