Até o final do mês, o perfil da mulher bauruense será revelado à comunidade. Os dados, coletados por meio de inúmeras pesquisas realizadas nos últimos meses, serão divulgados durante as plenárias preparatórias para a 1.ª Conferência Municipal de Políticas para as Mulheres, agendada para os dias 30 e 31 de março.
Essas informações, acredita a comissão organizadora do evento, permitirão aprofundar o debate sobre a realidade feminina local e fomentarão a elaboração de propostas de implantação e desenvolvimento de políticas públicas para o segmento feminino.
“Acreditamos que esses dados, coletados por vários grupos temáticos, irão revelar algo desconhecido e certamente deverão causar polêmica, chocar”, aposta a publicitária Dalall Adas, que colabora com a organização do evento.
O delineamento desse perfil, completa a vereadora Majô Jandreice, é um antigo sonho da militância feminista de Bauru. “Acreditamos que as pesquisas não irão parar por aqui. Há muito ainda a se conhecer sobre a mulher bauruense, mas este é o começo do descobrimento dessa realidade”, afirma ela, que é membro da comissão organizadora da conferência.
As primeiras informações sobre quem é a mulher bauruense serão conhecidas na terça-feira, quando será realizada a plenária “Educação, cultura e gênero”. Nela serão debatidas a participação feminina nas atividades artísticas e como o acesso à educação é determinante para a conquista da igualdade de direitos.
Além dela, serão realizadas mais cinco plenárias, todas agendadas para as 19h30, na Câmara Municipal de Bauru, e com entrada gratuita.
“O evento é aberto a toda comunidade, porque queremos que todos os segmentos participem do aprofundamento da discussão sobre políticas para as mulheres”, reforça Geni Aparecida Destro, coordenadora do Centro Integrado de Atendimento à Mulher (Ciam) e membro da comissão organizadora da conferência.
As demais plenárias terão como temas “Mulher e desenvolvimento: trabalho, renda e inclusão social”, “Saúde e direitos reprodutivos”, “Direitos humanos: cidadania e violência de gênero”, “Mulher e poder: participação política e acesso à tomada de decisão” e “Mídia e comportamento”.
Desses seis temas, o trabalho é considerado a problemática crucial na avaliação da comissão organizadora. “Apesar de não haver um tema com peso maior que o outro, não há como negar que a questão do emprego afeta toda a sociedade. Isso porque dificulta o acesso a cultura, saúde, educação, enfim, provoca a exclusão social e atinge em fundo a cidadania”, expõe a vereadora Catarina Carvalho, integrante do grupo.
As discussões levantadas nessa como nas demais plenárias irão compor o documento-guia da 1.ª Conferência Municipal de Políticas para as Mulheres, cujos debates irão resultar em propostas de políticas para as mulheres e serão encaminhadas aos gestores públicos de todas as esferas de poder.
“De forma tímida, as mulheres estão avançando em todos os setores e segmentos, mas ainda precisamos de políticas afirmativas e que possibilitem mudanças. Esse é o desafio da igualdade numa perspectiva de gênero”, sustenta Majô.
Serviço
Plenárias Preparatórias para a 1.ª Conferência Municipal de Políticas para as Mulheres. Dias 9, 12, 16, 17, 19 e 23 de março, às 19h30, na Câmara Municipal (praça Dom Pedro I, s/n, Centro). 1.ª Conferência Municipal de Políticas para as Mulheres. Dias 30, às 19h30, e 31, às 8h30, no Senai (rua Virgílio Malta, 11-22). Entrada gratuita.
Decreto federal
A realização da 1.ª Conferência Municipal de Políticas para as Mulheres atende à determinação do decreto federal número 247/2003, o qual estabelece que os municípios têm até 4 de abril para realizar o evento.
O documento municipal deverá ser encaminhado ao encontro em esfera estadual, a ser desenvolvido entre os dias 5 de abril e 16 de maio. Depois, entre os dias 17 e 19 de junho, será realizada em Brasília (DF) a 1.ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, cujo tema será “Políticas para as Mulheres: um desafio para a igualdade numa perspectiva de gênero”.
Em âmbito local, as bauruenses irão se reunir em plenárias e depois na conferência. Os trabalhos serão presididos pelo Centro Integrado de Atendimento à Mulher (Ciam), em conjunto com o Conselho Municipal da Condição Feminina, além de representantes do poder público e da sociedade civil, totalizando 32 representantes.