10 de julho de 2026
Bairros

Estudante gosta, mas critica Bauru

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Em geral, universitários que vêm de outros municípios para morar em Bauru têm muitas críticas na ponta da língua, mas admitem que se adaptam facilmente e que gostam da cidade.

A estudante de arquitetura Ana Cristina Milhor, que mora há cinco anos em Bauru, é uma delas. No começo, não gostou da mudança. Hoje, diz que não voltaria a São Carlos, sua cidade de origem.

“Eu prefiro São Carlos. Mas não voltaria a morar lá. A estrutura de São Carlos atende melhor as pessoas. Mas eu já aprendi a gostar de Bauru”, justifica.

Entre os pontos positivos destacados por Ana, está a grande quantidade de pessoas de fora, vindas em grande parte devido às universidades instaladas em Bauru. Ela também gosta do clima quente. “São Carlos é mais fria”, compara.

Já entre as críticas, afirma que a estrutura da cidade não atende aos estudantes. “Acho que o sistema de ônibus é horroroso, a cidade é feia visualmente. É ruim também o problema de enchentes”, pontua.

A artista plástica recém-formada Priscila Kriegler saiu há quatro anos de Campo Limpo Paulista, sua cidade de origem. Hoje, diz que gosta muito de Bauru, que oferece a ela mais opções de eventos culturais.

“Oferece pontos positivos em estudo, em cultura. Na minha cidade não tem Sesc (Serviço Social do Comércio), por exemplo. Se eu quiser ir ao cinema ou ao teatro, eu tenho de ir para Jundiaí ou para São Paulo”, reclama.

Não por esse motivo ela se esquece dos problemas. “Eu acho muito estranho numa cidade como Bauru não ter bancos nos pontos de ônibus. Fico pensando nas mulheres grávidas e nos idosos, que não têm onde sentar”, observa.

Ela queixa-se também da ausência do poder público na limpeza de vias públicas nos bairros. Diz que os moradores pagam o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), mas não usufruem de ruas limpas. “Quem faz a limpeza são os próprios moradores, quando fazem. Não tem pessoas que passam varrendo”, afirma.

Para Ana Laura Spirandeli Cruz, 22 anos, estudante de Terapia Ocupacional e natural de Botucatu, o único aspecto negativo de Bauru é o calor excessivo. Ainda assim, ela prefere as altas temperaturas às serras botucatuenses.

“Mas Bauru tem muito mais vida noturna. A cidade é bem mais aberta que Botucatu. Tanto profissionalmente, quanto socialmente”, avalia.

Já o designer Martin Herraiz, outro recém-formado, não gosta muito do que tem visto na cidade durante os seis anos de experiência.

“É uma cidade agradável, porém culturalmente deficiente. Não tem espaço adequado para difusão de cultura. Não tem locais apropriados para shows, por exemplo. Teatro, só tem um, e não é aquelas coisas. Cinema, são quatro salas e todas horríveis”, enfatiza.

“Isso é problema de falta de espaço e falta de investimento. Tem muita empresa em Bauru que poderia investir nesse tipo de coisa”, acrescenta.

Para Martin, a tarifa do ônibus coletivo está cara. “É desproporcional. Tem poucas linhas que não cobrem a cidade inteira. A gente tem que pegar dois ônibus”, diz.

Apesar da avalanche de reclamações, Martin, que está mudando-se para São Paulo, elogia a diversidade proporcionada pelas universidades.

“O mais positivo foi o contato com as pessoas. Coisas que a universidade proporcionou. Eu só ficaria em Bauru porque é um lugar agradável, sem engarrafamento, poluição exagerada. Mas isso não é suficiente para ficar”, avalia.

Há cinco anos, Ivan Barros Silva veio de Cabo Verde para estudar arquitetura no câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Embora tenha críticas a fazer, diz que gostou da cidade.

“Eu achei interessante ter vivido aqui. Mas a gente não pode só fazer elogios. No todo, é legal. A cidade me permitiu boa adaptação. Hoje em dia, eu me sinto muito bem aqui, muito à vontade”, conta.

Entre as queixas, ele cita o transporte público e a infra-estrutura urbana. “O transporte público é muito precário. Pontos de ônibus são precários e faltam lixeiras. A falta de mobiliário urbano é uma coisa que marca bastante. Falta de arborização também”, afirma.

Na opinião do arquiteto, falta sinalização para visitantes de Bauru. “Não tem muitas placas de orientação. Nos primeiros tempos, eu tive uma dificuldade absurda para me mover aqui dentro. A cidade não está preparada para receber turistas. Não tem suporte para as pessoas que vêm de outras cidades até para estudar”, diz.

Apesar disso, ele elogia a hospitalidade da população. “As pessoas são muito sociais. Dão informações na rua, nunca negam nada. Não tem rejeição”, afirma.

Ivan vai voltar ao seu país de origem mas diz que continuaria morando em Bauru se tivesse uma boa oportunidade de trabalho.

“Eu não trocaria essa cidade por nenhuma outra cidade que eu já conheci no Brasil - São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza. Mesmo com a praia. Talvez, só por uma cidade que eu não conheça ainda”, revela.