08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A insustentável leveza do ser no poder


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Ainda não é possível fazer um julgamento do caso Waldomiro e seus tentáculos dentro do governo que se instalou em Brasília em Janeiro de 2003. Quanto ao principal envolvido, sua exoneração e as investigações sobre todas as suas ações além da execração pública pela grande imprensa, que não deixa de ser um pré-julgamento, já estão em andamento até a data do longínquo julgamento definitivo. O que mais preocupa é a possibilidade ou não da ligação entre o suspeito e o ministro chefe do governo Lula, sr. José Dirceu, que embora negue qualquer evidência de participação da máquina petista no imbroglio, deveria explicar à sociedade brasileira e ao Congresso Nacional como viveu sob o mesmo teto durante doze anos com o elemento e não percebeu sua vocação para corrupto ou corruptor, como queiram.

Não foram dez ou doze dias e sim doze anos, o que permitiria saber até a cor da alma de um sujeito. Parece que das duas uma, ou José Dirceu é um péssimo observador do caráter humano ou então deveria pedir exoneração do cargo e voltar à Câmara dos Deputados para tentar cumprir seu mandato de deputado federal por São Paulo até 2006.

O pior mais uma vez não é o fato em si, mas suas suposições e possíveis desdobramentos, com a ética mais uma vez arranhada justamente por quem deveria defendê-la com unhas e dentes. A esperança perde mais uma vez espaço no coração do povo brasileiro, na medida em que pairam dúvidas justamente por quem até outro dia julgava com mão-de-ferro e língua de aço seus oponentes na situação. Ao passar de estilingue para vidraça de cristal em Brasília, a equipe de Lula deveria ter tomado mais cuidado nas nomeações, nas indicações, até na escolha de outros partidos coligados ou conchavados, pois, a entrada de um elemento suspeito de atos de improbidade dentro do Palácio do Planalto tem o poder de remeter o governo Lula para o mesmo patamar de seus antecessores, que a rigor jamais se importaram muito com a probidade, a ética e o bom senso na administração da coisa pública em nosso país.

Usar a tática do esquecimento forçado ou da famosa estratégia da falta de memória do povo brasileiro me parece ser a pior das alternativas. O que se espera de um grande governante que assumiu o cargo mais importante da nação, ungido pelo voto e pela esperança de milhões de brasileiros, é “Deslize Zero” e “Corrupção Zero”. O que José Dirceu precisa entender nesse momento delicado é que a sociedade civil brasileira não tem mais tolerância com a prática de atos ilícitos de qualquer natureza, ou seja, o povo tem fome de justiça e nesse caso não é “Fome Zero”. (Rafael Moia Filho - RG 6.711.407-6)