10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Volume de exportação garante o crescimento da agropecuária

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

O crescimento de 5% da agropecuária em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) de 2002 está diretamente relacionado ao bom desempenho do setor nas exportações no ano passado. A safra da soja, por exemplo, vem batendo sucessivos recordes e a produção praticamente dobrou nos últimos seis anos.

“Na prática, o que temos observado é que o setor primário tem tido esse desempenho muito mais em função do bom momento do mercado externo do que no mercado interno”, afirma o economista Reinaldo Cafeo.

Para o presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde Guimarães, o crescimento da agropecuária é resultado de uma mudança de postura que começou a ser implantada na administração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). “Tanto ele quanto o atual governo reconheceram que não podiam mais continuar atrapalhando o setor”, declara.

Ele explica as alterações que foram promovidas na agricultura. “Antes, quando alguém começava a ganhar muito dinheiro com determinada cultura, logo havia uma taxação excessiva, pois se achava que havia o risco da monocultura. Hoje, 60% do mercado é de soja e ninguém faz nada para atrapalhar”, argumenta.

Lima Verde destaca, também, o avanço na tecnologia. “Tínhamos, por exemplo, uma qualificação de terras que se chamava Arenito Bauru, que significava péssima qualidade. Atualmente, você olha a região e não vê praticamente nenhum metro quadrado abandonado. Os terrenos foram utilizados para pastagem ou culturas”, analisa.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Domingos Malandrino, reconhece a importância do setor primário, mas prega uma evolução nas exportações. “Precisamos passar a agregar valor. Somos o maior exportador de café do mundo, mas vendemos o grão cru. Nem sequer torrado ele é. Lá fora, o importador torra, mói, empacota e repassa o produto por um preço maior”, compara.

Já o presidente da Associação Bauru Frutas, Orlando Marcos de Oliveira, acredita que os produtores precisarão contar com a sorte para manter o nível de exportação. “A agricultura é uma loteria. Costumamos dizer que são cinco anos ruins para cada ano bom. Estamos em um momento favorável, mas há três ou quatro anos plantávamos apenas para nos manter”, relembra.