10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Município quer incentivar fruticultura

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

Enquanto o comércio e a prestação de serviços, bases da economia bauruense, tiveram desempenho negativo no Produto Interno Bruto (PIB) em 2003, a agropecuária registrou crescimento de 5% em relação ao ano anterior. Na tentativa de incrementar o setor agrícola no município, a prefeitura e produtores rurais da cidade decidiram apostar na fruticultura.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Domingos Malandrino, afirma que a opção pela cultura de frutas surgiu a partir de um estudo feito em parceria com a Agência Paulista de Tecnologia em Agronegócios (Apta), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade do Sagrado Coração (USC). “Temos uma tendência e uma vocação muito forte para a fruticultura. Nosso solo não é o ideal para plantar milho”, exemplifica.

Para ele, as características físicas da zona rural de Bauru também favorecem a fruticultura. “Somos um município com área relativamente reduzida. Temos 640 propriedades rurais, das quais 590 são consideradas produtivas, sendo que 47% delas têm menos de 50 hectares. São propriedades pequenas, ideais para este tipo de cultura”, declara.

Malandrino acredita que o desenvolvimento agrícola em Bauru ganhará um impulso ainda maior com a implantação de um pólo de pesquisa da Apta, previsto para entrar em operação até o final do ano. “Ele será voltado justamente à fruticultura”, explica.

O economista Reinaldo Cafeo defende a iniciativa. “A aposta em outros tipos de atividade, notadamente no setor primário, me parece bastante salutar. A cidade tem que começar a buscar alternativas. Essa coisa de ficar deitado em berço esplêndido, imaginando que você tem vocação para determinado segmento e não apostar em outros, acaba tornando o município refém”, opina.

O presidente da Associação Bauru Frutas, Orlando Marcos de Oliveira, confirma que o setor começa a viver um bom momento no município. “Estão entrando vários produtores que não tinham tradição em fruticultura e atuavam em outros ramos, como o industrial”, relata.

A associação, inaugurada oficialmente em janeiro, está coordenando, por exemplo, as atividades de um grupo de 20 pequenos produtores de maracujá, que se uniram para garantir a continuidade dos negócios.

Problemas

Oliveira lembra, porém, que a fruticultura pode ter problemas caso haja um número excessivo de agricultores querendo entrar no negócio. “Corremos o risco de haver um fluxo muito grande, embora, nesse caso, a exportação possa sustentar essa demanda e absorver a produção desses novos produtores”, argumenta.

O secretário de Desenvolvimento Econômico concorda e faz uma ressalva. “A fruta é um produto in natura, que precisa de rapidez na exportação. O término do novo aeroporto é extremamente importante para que você possa escoar a produção”, sustenta Malandrino.

O presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Maurício Lima Verde Guimarães, aponta outro problema para o desenvolvimento da cultura de frutas na cidade. “Há 15 anos, foi feito um estudo que indicou que Bauru era o pólo ideal para a citricultura no Estado. Por mais que se tentasse, nunca houve uma abertura para que a laranja chegasse, porque ela precisa da agroindústria. Ninguém a 300 quilômetros de distância vai comprar a fruta aqui”, opina.

Pelo menos no caso do maracujá, essa questão parece estar próxima de ser resolvida. Um projeto enviado pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de São Paulo à Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp) garantiu a doação de uma agroindústria para beneficiamento da polpa do maracujá, que será instalada na Estação Experimental da USC.

Mesmo assim, Lima Verde acredita que o potencial da fruticultura em Bauru ainda está distante do que poderia representar. “Temos bons fruticultores e até gente que exporta, mas é tudo em pequena escala e não há retorno social e nem econômico”, opina.

Números

O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos pelo País. Depois de um crescimento de 1,9% em 2002 (no comparativo com o ano anterior), houve uma queda de 0,2% no ano passado.

Enquanto a agropecuária cresceu 5%, a indústria teve queda de 1% e o setor de serviços de 0,1%.

Entre os subsetores da indústria, a construção civil foi o que apresentou pior desempenho, caindo 8,6% em relação a 2002. No setor de serviços, houve queda no comércio (2,6%), transportes (0,8%) e no item outros serviços (0,5%).