08 de julho de 2026
Mulher

Precocidade à toda prova

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 3 min

Quem vê a mocinha baixinha, de piercing, tatuagens, cabelos “mais vermelhos do que devia” e roupas de ginástica pra lá de descoladas, jamais imagina que Priscila Nagata, 24 anos, é técnica de Ginástica Rítmica Desportiva (GRD) e responsável pela formação de 220 atletas, incluindo uma premiada equipe de competição, única na região e que já foi anfitriã de um campeonato brasileiro da modalidade.

“As mães às vezes assustam ou me perguntam onde está a professora”, diverte-se a atleta precoce, que afirma “ter nascido” dentro da Associação Luso-Brasileira de Bauru, onde fez 14 anos de balé e há oito anos se dedica à GRD. Paralelamente às aulas no clube, foi aluna de educação física na Universidade Estadual Paulista (Unesp), onde ingressou precocemente aos 16 anos e aos 20 já era uma professora diplomada, realizando o sonho da avó, que a criou e a vida inteira sonhou ser professora de educação física, mas foi barrada pelo preconceito.

Entretanto, a maior batalha desta técnica é fazer com que a modalidade, muitas vezes confundida com balé ou uma outra dança, seja conhecida e tenha inúmeras participantes com garra, graça e disciplina.

“As meninas do Brasil ganharam o Pan. A GRD é uma modalidade olímpica, mas infelizmente muita gente não sabe nem o que significa. Apesar de aqui no clube a modalidade existir há nove anos, trazida pela professora Sílvia Miccolli, que na época só tinha três alunas e uma delas era eu, só agora estamos conseguindo destaque e apresentar para o público o que realmente é”, comenta.

Para mostrar o que é GRD, a luta de Priscila começou para inserir as coreografias com bola, fita e arco na Festa Portuguesa, evento tradicional do clube, que reúne milhares de pessoas.

“Na semana seguinte tem sempre novas alunas no grupo. A gente também aceita todos os convites para se apresentar em festas de colégio, no quartel, jantar de Lions, aniversários de cidade.”

As visitas na região já renderam alunas de Jaú, Pederneiras e Agudos. Mas ainda não é suficiente para que suas atletas possam competir em jogos regionais, cada uma é inscrita por um pólo. “Não dá para competir sozinha. Então, as meninas se enfrentam entre si e por cidades diferentes, para poder entrar nos jogos abertos. É muito difícil. Não tem patrocínio porque não aparece no jornal, não está toda hora na tevê. Até na educação física os professores não se interessam, pois as dificuldades desanimam.”

Por isso, Priscila Nagata também está fazendo um trabalho de base nas escolas particulares para depois colher os destaques em sua equipe, que já ganhou três títulos paulistas, foi campeã geral da Copa Brasil e fatura todas as Ginastradas de que participa, numa modalidade em que beleza e detalhes contam muitos pontos.

“As meninas ficam maravilhadas com os movimentos da fita, com a precisão de jogar e pegar a bola. Elas acham legal e vem para cá descobrir o que é GRD. Estamos caminhando... Começamos com três e hoje somos 220. E não temos medo de aparecer e mostrar o trabalho”, desabafa a técnica, com o ar desafiador de quem já venceu muitas barreiras, mesmo sendo muito jovem.