08 de julho de 2026
Mulher

Engajadas, lideranças buscam mudanças

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 5 min

Integrando organizações não-governamentais ou militando em partidos, lideranças femininas de Bauru têm demonstrado espírito de engajamento, defendendo a possibilidade de transformações e conquistas no plano político, social e ambiental.

Esse é caso, por exemplo, da ambientalista Ivy Wiens, que faz parte da Organização Não-Governamental (ONG) Instituto Ambiental Vidágua.

Além da defesa do meio ambiente, a jovem de 25 anos está sempre envolvida em muitas frentes de atuação social, entre elas trabalhos comunitários com associações de moradores, projetos de arte-educação e a luta pela defesa dos direitos das mulheres.

O início formal do engajamento de Ivy em tantos projetos na cidade foi no curso universitário, em meados da década de 90, quando a então estudante de relações públicas começou a evolver-se, por meio de propostas disciplinares, com associações de moradores.

E foi durante um trabalho voluntário de revitalização de um bosque desenvolvido junto à comunidade do Bauru 16, em 2000, que Ivy conheceu o trabalho do Vidágua e a sua nova casa. “Eu gostei. E acabei ficando até hoje envolvida com isso. Minha vida se resume basicamente a colaborar nessas causas”, afirma.

Em 2001, Ivy integrou o Comitê em Defesa da Mulher Trabalhadora, grupo que se reuniu para protestar contra um projeto de lei que estava tramitando no Congresso Nacional e que comprometia a estabilidade da gestante no emprego. “Em Bauru, nós conseguimos coletar assinaturas para enviar a Brasília e o projeto foi arquivado”, comemora.

Atualmente, a ativista também faz parte do Conselho Municipal de Meio Ambiente e do Núcleo Cultural Quilombo do Interior, que tem o objetivo de trabalhar com arte-educação, por meio da cultura do hip hop.

Para a ambientalista, a construção de um mundo mais justo passa necessariamente por uma mudança de comportamento e de visão do papel das pessoas em sociedade, o que significa a participação ativa em prol dos interesses coletivos, sejam eles ambientais, políticos ou sociais. “A gente vê o individualismo crescendo cada vez mais e de repente não é por aí que a coisa funciona. Para você ter o seu bem-estar, você também depende do bem-estar do outro, uma visão de coletivo”, afirma.

Foi pensando também no sentido de coletividade que a jovem Ariadne Pavan da Silva, 15 anos, engajou-se em causas estudantis. Ela hoje é diretora cultural da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Bauru (Umesb) e vice-presidente do grêmio da escola José Aparecido Guedes de Azevedo, no Bela Vista. “Eu sempre me interessei e sempre estive no meio desses movimentos estudantis e de conscientização”, diz.

No grêmio, seu grupo tem feito jornais e murais informativos na escola, ativou uma rádio comunitária e está desenvolvendo uma proposta de revitalização do jardim do prédio. “A gente está querendo melhorar a escola. E tem toda uma proposta de conscientização dentro disso”, afirma.

Na Umesb, o projeto da estudante é buscar patrocínio para levar e desenvolver atividades culturais no espaço escolar. Para Ariadne, a atuação dentro de um microuniverso, como as salas de aula, é o início do caminho para a construção de uma transformação social mais ampla.

Minorias

Ideologias à parte, é preciso muito peito para defender os direitos de grupos minoritários, como homossexuais, negros e mulheres, além de propor a discussão de assuntos polêmicos, como a discriminalização do aborto e casamento entre gays. Esse é um dos tipos de enfrentamento a que se propõe Iraci Borges, presidente do diretório regional do PSTU.

À frente do partido, Iraci tem trabalhado na implantação de secretarias para organizar as minorias sociais e reuni-las em torno de suas reivindicações. Uma delas, a secretaria Gays Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (GLBT), já foi lançada publicamente em setembro do ano passado.

“Nós apoiamos a luta de todas essa minorias”, afirma. “Nós atuamos, principalmente, na organização desses setores no sentido deles se incluírem na luta contra a opressão e discriminação”, completa.

De forma geral, todas as bandeiras de Iraci passam pela defesa do socialismo. Na avaliação dela, a justiça social só pode ser alcançada com a desconstrução do atual sistema econômico.

Já a principal causa da militante do PMDB Haydeé das Dores, que está há 12 anos no partido, é a politização das mulheres. Para ela, a construção de um mundo melhor se dá a partir da igualdade da participação feminina nos poderes constituídos.

Atualmente, na avaliação da peemedebista, falta representatividade e envolvimento das mulheres no universo político. Entretanto, defende Haydeé, essa participação tem de ocorrer de forma conscientizada e não por meio do estabelecimento de cotas.

“Uma questão que eu acho inadmissível é estabelecerem cotas para as mulheres. Cada partido tem de dar 25% de suas vagas para mulheres. É necessário saber se elas querem atuar. Para que elas queiram, precisam ser estimuladas e saber qual é o papel delas na política”, diz.

No início da década de 90, Haydeé participou ativamente do projeto de criação do Conselho Municipal da Condição Feminina. E foi a partir das ações do conselho que foi criado em 1995 o Centro de Atendimento Integrado à Mulher (Ciam). O órgão, da prefeitura, oferece atendimento gratuito na área jurídica, social, psicológica e de saúde às mulheres.

Direito dos animais

Um mundo mais justo não atende apenas aos direitos humanos. É o que pensa a presidente da União Protetora dos Animais (Uipa), Ângela Maria Heiffig, que está engajada há 15 anos nas causas da entidade.

“Eu acho que a partir do momento que o ser humano tratar os animais com respeito, o mundo será melhor. Nós não vamos sobreviver se tratarmos as outras formas de vida com descaso. O dia que o ser humano acabar com a natureza, ele estará acabando com a sobrevida dele neste planeta”, opina.

Na avaliação de Ângela, a sociedade civil deveria ser mais engajada e lutar de forma organizada pelos seus objetivos. “Tem pessoas que me falam: tem tanto problema no mundo, por que você está cuidando dos animais? E eu digo que estou fazendo a minha parte naquilo que eu amo”, afirma.