08 de julho de 2026
Articulistas

Errou? É bingo!


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O desemprego está na ordem do dia, e nela ficará por muito tempo, no Brasil e no mundo. Por aqui, as coisas andam especialmente ruins porque o governo insiste em cumprir uma agenda que já não tinha mais serventia. Andam ruins porque a equipe econômica pouco ou nada entende da vida real. A atual administração, em que pesem as supostas boas intenções de seu comandante, peca pela incompetência. O termo é forte, mas é bem mais apropriado que a já sobejamente conhecida incoerência do PT.

É natural que, diante de um quadro desses, a opinião pública se divida em relação à idéia de se fechar de uma vez por todas os bingos, acabar com os caça-níqueis. Se mais não fosse, o governo só tomou essa atitude para tentar pôr panos quentes sobre a pedra de gelo que foi o ministro José Dirceu (da Casa Civil) ter dados tantos poderes ao tal do Waldomiro - o que pretendia levar um por cento para si e outros tantos para os outros. O fato é que o povo não é tolo a ponto de engolir a idéia - de resto, falsa - de que a atual administração é contra o jogo desde criancinha. Não é. Nunca foi.

É triste saber que um número significativo de pessoas perderá seu ganha-pão, graças ao fechamento de bingos. A estes cidadãos - e não aos que usam as casa de jogo para lavar dinheiro - o governo deve mais que uma explicação: tem o dever de fazer o possível para minorar seu drama. O que, a rigor, é improvável. Tivesse sensibilidade e competência, não manteria os juros nos níveis atuais, sem que necessidade haja para tanto. Sabemos todos que os juros altos, a falta de programas claros de desenvolvimento – os fictícios, feitos para enganar a platéia, ao contrário, abundam - e a ausência de políticas sociais concatenadas são a raiz do nosso maior problema: o desemprego.

Estou convencido de que - em se mantendo a proibição de funcionamento das casas de bingo e das máquinas caça-níqueis - o dinheiro ali gasto será, ao menos em parte, desviado para fins mais nobres e servirá para reanimar um pouco outros setores da economia. Sei da total impossibilidade de convencer os que acabaram de perder o emprego dos males que a jogatina provoca. Seria ocioso lembrá-los de que, por trás dos caça-níqueis, quadrilhas - e só elas - se locupletam.

O triste é acreditar que um governo como este - que só acerta quando erra - possa dar melhor destino ao país.

O autor, Walter Feldman, é médico, deputado pelo PSDB-SP e presidente da subcomissão de Ordenamento Territorial e Regiões Metropolitanas da Câmara Federal.