08 de julho de 2026
Cultura

Rita Ribeiro

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 2 min

Como, infelizmente, ela ainda não toca nas rádios nem aparece na televisão com a freqüência que mereceria, a oportunidade de conferir o trabalho de Rita Ribeiro ao vivo é valiosa. Nascida no interior do Maranhão, a cantora - um dos grandes nomes da MPB recente - se apresenta hoje, a partir das 21h30, na área de convivência do Sesc.

O show faz parte do projeto Tecnomacumba - O Canto dos Orixás, no qual Rita une canções de grandes nomes da música brasileira reverenciando os orixás, ao som do pop eletrônico, muitas guitarras e violões.

A carreira de Rita é formada de boas misturas, de ritmos e canções, talvez resultado do ambiente sonoramente eclético onde nasceu. Filha de um músico quase profissional, Rita cresceu ouvindo reggae (estilo musical quase “local” no Maranhão, o estado brasileiro que mais absorveu o ritmo caribenho). Com o pai aprendeu a gostar de Noel Rosa, Lupicínio Rodrigues, Cartola... e com os dez irmãos, conheceu tudo o que rolava nos anos 60 e 70, das canções tropicalistas a Waldick Soriano.

Aos 15 anos, ela se matriculou numa escola de música e saiu de lá cantando tudo: do popular ao clássico em diferentes estilos. Depois de cantar em alguns grupos em São Luís e depois em São Paulo, para onde veio em 1990, conseguiu gravar o primeiro disco em 1996. “Rita Ribeiro”, que saiu pela Velas, com produção de Zeca Baleiro e Mário Manga, trouxe a voz da cantora em canções com diversas influências sonoras que vão reggae ao blues, passando, é claro, pelos ritmos maranhenses como o baralho, resgantando temas populares em sua terra natal.

O disco - que era na verdade para ter sido independente - foi bem recebido e a levou a gravar, em 1998, sob a produção de Marco Mazzola, seu segundo CD, “Pérolas aos Povos”. O trabalho, que dava continuidade ao primeiro CD no quesito mistura de ritmos, foi ainda mais elogiado e levou a cantora a festivais internacionais, entre eles Montreux, e a uma indicação ao Grammy de Pop Latino, em 2001, além de turnês no Exterior, onde o disco foi lançado.

“Comigo”, gravado no final de 2001 pela Abril Music, trouxe uma Rita mais pop, mas não menos eclética sonoramente. O disco traz até uma música de Evaldo Golveia e Jair Amorim, “Moça Bonita”, gravada antes por Ângela Maria, um resgate com estilo. Ao mesmo tempo, também tem (como os outros dois CDs) seu lado dançante. Enfim, Rita é uma intérprete que adora experimentar e nesse processo acerta como poucas.

Em tempo: a cantora deve gravar um CD e um DVD com o show “Tecnomacumba” no próximo mês em São Paulo, o que torna a apresentação de hoje ainda mais interessante, já que antecipa os dois lançamentos.

• Serviço

Show de Rita Ribeiro, hoje às 21h30, na área de convivência do Sesc. Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 3235-1750.