Conseguir ser um grande pintor é algo que vem de muito longe... Começa na região esquerda do cérebro, o berço da criatividade. Por vezes, esse fator se desenvolve por um ambiente artístico, uma força genética, um clima familiar que propicia o convívio com outros artistas, exposições, livros, etc...
Não nos tornamos pintores com alguns anos de aulas. Além de ter talento, a arte pictórica exige anos e mais anos de trabalho, dedicação, cursos, estudos, observação (observação) trato com as artes, disciplina, afinco.
Nós, neófitos na pintura, somos de uma mediocridade total. Copiamos muito bem, mas isso, uma máquina fotográfica faz muito melhor. Temos que procurar nos dedicar muito mais horas ao exercício da pintura; nutrir o nosso talento; buscar o ensinamento nos grandes mestres; aprender a ver, a descobrir a riqueza das sombras, o valor intrínseco das cores. Até chegarmos um dia a ser “pintores”, sejamos humildes bastante para guardarmos nossos quadros no porão de casa...
Olhem o que acontece em algumas assustadoras “salas de espera” de consultórios médicos. Quem decora um consultório precisa pensar que seu usuário vive momentos de inquietação, está passando por uma hora de expectativa, de um veredictum, de um diagnóstico, da leitura de um exame laboratorial. Os quadros nesse ambiente precisam ser tranqüilizadores, evocativos, luminosos, trazendo ao expectador um clima apaziguador.
Sejamos humildes e reconheçamos que só merece o nobre título de Pintor, com letra maiúscula, quem tem esse algo mais, esse algo imponderável, inexplicável: a centelha da genialidade.
A autora, Adelaide Reis de Magalhães, é escritora e colaboradora do Ju Machado Escritório de Arte.