09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Felicidade (ser ou estar feliz?)


| Tempo de leitura: 4 min

Recentemente, recebi um e-mail com uma nota intrigante: a realização do 1º Congresso Internacional da Felicidade, em Madri, nesse ano, onde os congressistas chegaram a conclusão de que a felicidade só é alcançada depois dos 35 anos. Fiquei contente ao ler sobre isso, o que me deu certa esperança.... Acredito que depois que cumprimos as missões impostas pelo berço, passamos a ser livres, a escrever a nossa própria história. Depois dos 30, você paga do próprio bolso o que come e o que veste, vira-se no inglês ou espanhol, não tenta mais o suicídio quando um amor ou uma paixão não dão certos, reconhece o rosto que vê no espelho, sabe de quem se trata e se simpatiza com ele, mesmo que já tenha feito um monte de burradas nos anos que passaram (ou que tenha passado em branco esses anos todos). A maioria das pessoas, quando questionadas sobre o assunto dizem “não existe felicidade, existem momentos felizes”. Recentemente um amigo também me disse isso. Lamentando o tempo que se passou, as oportunidades perdidas, a falta de coragem para viver determinadas coisas, ele me disse que o ideal seria tirar a palavra “se” de nossas vidas, pois o tempo é implacável e não volta mais, não adianta ficarmos nos lamentando. Ele está com a razão? Sem dúvida, mas se você souber como agir assim 100%, ou como me desligo disso para sempre, me ensine.

O que é ser feliz? Existe uma fórmula para ser feliz? Qual o verdadeiro significado da palavra felicidade? Se procurar no dicionário, encontrará “bem-estar, contentamento”, palavras simples. Todos buscam intensamente serem felizes. Uns afirmam que são, outros que não são. O mais certo é que ninguém é feliz ou infeliz completamente. Ao analisar a vida, as peças que ela nos prega, as pessoas que surgem em nossa volta, as situações do cotidiano - isso é que é o barato dela -, concluo que a felicidade é um estado de espírito, uma situação de momento, como os demais sentimentos existentes: tristeza, ansiedade, alegria, carinho e etc.. Acho que a felicidade compõe um pouco de cada um dos sentimentos bons, e está ligada ao momento que você vive, com quem se relaciona. Temos momentos felizes, de acordo com o que estamos passando ou vivendo, cabendo a cada um de nós, fazer com que esses momentos tenham mais ou menos intensidade. Poder fazer dos momentos felizes os mais intensos, prazeirosos e duradouros, é a questão. Então, nesse momento, posso dizer que ninguém é feliz, mas sim, está feliz.

Existem várias formas de felicidade. São vários os aspectos em que a felicidade se faz presente. Casar, constituir uma família, separar-se, passar no vestibular, arrumar um emprego, encontrar um amor, rever um ente querido, comprar um carro, fazer uma viagem, estar com um amigo, fazer amor (ou simplesmente sexo) e etc. O bem-estar nos invade diariamente, de acordo com o momento ou situação que estamos vivendo. Num mundo louco, globalizado, desigual, onde cada vez mais se fazem presentes as doenças da alma (depressão – pânico – stress e demais), a felicidade se torna o “alvo” principal do ser humano. Desemprego, desigualdade social, fome, miséria, corrupção, tudo isso nos faz tristes. O dinheiro é importante, mas não traz a felicidade, e sim o conforto. Isso eu tenho certeza. Então, o que precisamos fazer para nos sentir felizes? Quem sabe a melhor saída seja ignorar o “status quo”, algumas imposições da sociedade, os preconceitos, as preocupações com o que o outro está pensando. Viver o presente, da forma mais profunda possível, é o ideal de cada um, viver cada dia como se fosse o último, sem deixar as coisas para mais tarde. Isso não é fácil, com certeza, e acarreta mudanças radicais em nosso dia-a-dia, em nossa vida, muitas vezes, envolve outras pessoas à nossa volta. O mais importante é compreender que a felicidade é um fenômeno, e que estar feliz significa estar bem consigo mesmo, seja por uma hora, um dia, um mês, um ano....não importa o tempo. O que importa é poder construir uma vida melhor para você e para os que estão a sua volta, com caráter, respeito, seriedade e amor, sem desrespeitar o próximo e sem ferir os seus princípios, sabendo que o amanhã pode não existir e que o bem-estar pode ser passageiro. O tempo passa e não volta, portanto, como dizia a nobre Madre Tereza de Calcutá: “Não permita que alguém saia de sua presença sem se sentir mais alegre e mais feliz”. Estarei tentando sempre “estar feliz” e, mesmo que esses momentos sejam pequenos, tentarei fazer deles os melhores momentos. Que você saiba e se permita fazer isso também.

Ricardo Manrique Barone - RG. 21.281.460