Quando vejo o seu nome na A tribuna do Leitor do JC, assinando um artigo, leio-o com a melhor atenção. Porque você é um bailarino das palavras e dos trocadilhos. Porque é sério quando tem que ser sério e hilário quando lhe dá na veneta. E, o destaque: você, como eu, é da nossa sempre querida Piratininga. No dia l9 passado, li o seu "Salvem os Aposentados", em termos estaduais. Os contrastes evidenciados por você humilham e machucam a dignidade dos funcionários que se dedicaram dezenas de anos construindo a educação e a economia do nosso Estado, tornando-o mais rico da Nação. Que a Apeoesp entre nessa luta com raiva, com corpo presente, com o coração e a alma! Como os aposentados pelo Estado de São Paulo, os aposentados pela União também estão sofrendo que dá pena. A maioria morre com o salário mínimo. E já estão anunciando que o aumento neste ano será, no máximo, até l0%. Vinte e quatro reais a mais! “Kibom”! Vai dar pra comprar potes de sorvetes, comer carne todas as semanas, comprar os caros remédios de uso contínuo e pagar médico particular sem precisar do INSS. Comprar brinquedos para os netinhos. Ah! sim, e o par de tênis Nike made in Japan para as caminhadas recomendas pelo médico. E vai sobrar dinheiro para uma polpuda poupança para as viagens sonhadas antes da aposentadoria. Também sei ser hilário e...
Chega de ironias! A situação dos aposentados dos Estados e da União está piorando cada vez mais e nenhum político, com barba ou sem barba, tem a coragem suficiente para minorar as suas angústias. Como está a promessa do barba ralada que o salário mínimo deveria ter, na pior das hipóteses, o valor de l00 dólares? 300 reais mais ou menos há mais de um ano? Onde estão as promessas que iludiram os aposentados que receberiam atenção especial se a barba fosse eleita? A demagogia está gastando salivas, tinta e papel da imprensa. Seria mais humana, mais cristã, se a barba corintiana cumprisse as promessas feitas na campanha eleitoral não enganando e humilhando pessoas dignas de respeito por tudo que fizeram por este país. A barba que esconde a cara, esconde a cara que um dia também foi um operário, um assalariado, provavelmente também vítima do salário mínimo. Enquanto os caras pálidas dançam no salão das corrupções e das promessas enganosas, os aposentados dos Estados e da União dançam no salão escorregadio da sobrevivência, equilibrando, caindo e levantando, caindo e... Quando dois aposentados se encontram e se identificam por meio da A Tribuna do Leitor do Jornal da Cidade, é inevitável o abraço mais ou menos enferrujado, quase ao vivo, com a saudade dos tempos de paz vividos na querida Piratininga.
Munir Zalaf - R.G. 2.726.959