25 de maio de 2026
Política

Indefinição pára cidade por cinco dias

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Quem vai governar a cidade a partir de quarta-feira: o prefeito Nilson Costa (PTB) ou o seu vice, Dudu Ranieri (PFL)? A pergunta - sem reposta definitiva neste momento - mexeu com a engrenagem da máquina administrativa municipal, com repercussão também nas articulações do quadro sucessório. Até quarta-feira - dia em que o Tribunal de Justiça (TJ) decidirá quem será o prefeito -, Bauru viverá um hiato administrativo e político.

Secretários e assessores diretos do primeiro escalão trabalham em clima de apreensão, embora o prefeito Nilson Costa tenha pedido a eles que as ações da administração não sofressem solução de continuidade.

Segundo o Jornal da Cidade apurou, a tramitação de contratações de serviços, aquisições de materiais e outras decisões que demandariam processos de médio e longo prazo foram paralisadas. Alguns titulares de secretarias, em decisão de foro íntimo, preferem aguardar o resultado final do julgamento que será feito pelo TJ da liminar que mantém Nilson como prefeito.

A movimentação no balcão da Secretaria de Finanças aumentou significativamente durante o dia de ontem. Eram fornecedores e credores em geral da prefeitura pedindo para agilizar o pagamento de suas faturas.

A exemplo de situações anteriores, eles têm medo da reviravolta política que está para acontecer, o que poderá significar bloqueio na liberação dos cheques até a completa regularização de uma virtual nova administração. E mesmo assim, o pagamento dependerá de uma análise mais criteriosa por parte do novo secretário.

No campo político, grupos de servidores de carreira que apoiaram a gestão relâmpago de 23 dias do vice-prefeito Dudu Ranieri já se movimentam com gracejos e piadinhas. Segundo informações de bastidores, esse clima é visível em algumas secretarias municipais, como a de Educação, Bem-Estar Social e Cultura.

A mesma situação também é vivida nas autarquias e empresas municipais. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) viveu uma situação de “invasão” de simpatizantes de Dudu Ranieri na sua primeira gestão. Eles foram convidados por alguns servidores de carreira da autarquia a almoçarem no refeitório no primeiro dia do novo governo, provocando constrangimento na presidente da empresa, Nilcéia Paes Lourenço, que ainda ocupava o cargo.

O clima na autarquia durante o dia de ontem não foi diferente, extensivo também à Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) e Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).

Alguns ocupantes de cargos de confiança em setores da administração direta e indireta estão se preparando para um eventual abandono das funções. Observam-se pacotes de papéis e envelopes por cima das mesas, o que indica um quadro de limpeza de gavetas.

A situação de indefinição política também afeta alguns vereadores que até então estavam apoiando a administração do prefeito Nilson Costa. Anteontem, logo após a divulgação do resultado parcial e favorável a Dudu Ranieri, alguns parlamentares fizeram uso contínuo do telefone celular para declarar apoio antecipado e juras de fidelidade ao vice-prefeito.

Esse grupo sempre manteve os pés em duas canoas num perfeito equilíbrio entre o fisiologismo e o populismo. Com os claros sinais de uma iminente reviravolta, tratam de fincar pé em uma única canoa, naquela que tem mais chances de abocanhar o poder.

Fragmentação

A situação de intranqüilidade política também afetou as lideranças do chamado chapão - grupo nilsista formado pelo PTB, PPS, PCdoB, PSDC, PAN e PMDB - que articula o lançamento de uma candidatura própria à Prefeitura de Bauru.

Se o Tribunal de Justiça decidir pelo afastamento de Nilson Costa, a leitura que se faz neste momento é de que o chapão vai se desintegrar. Sem o controle da máquina administrativa como componente de campanha às eleições municipais, cada um dos seis partidos vai procurar abrigo em outras frentes que já estão com conversações adiantadas.

Quem sai ganhando com a virtual fragmentação do chapão são os prefeitáveis Caio Coube (PSDB) e Tuga Angerami (PDT). Os tucanos, porém, vão ser os mais beneficiados. O PSDB está com dificuldades para emplacar um vice na chapa que será encabeçada por Coube. A partir de quarta-feira, a plumagem dos tucanos poderá ser apreciada com mais interesse.

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Fala povo

Como você avalia a situação de turbulência política em Bauru?

Acho que a cidade merece uma cabeça melhor do que a do Nilson Costa e a do Dudu Ranieri. Pedro Felipe Govedice, empresário

Parece que se consegue manipular o bauruense. Não vejo solução nem com o Nilson e nem com o Dudu. Giovana Piovesan Dota, administradora

Essa situação atrapalha o desenvolvimento da cidade e de seus moradores. Deixa qualquer um inseguro. Daniela Rodrigues, securitária

Na minha opinião, a cidade está sem prefeito há tempos. Continuará do mesmo jeito mesmo com o outro. Emérson Morilha, comerciante

Acho melhor ficar do jeito que está para ver como é que fica. Falta pouco tempo para a eleição. Jaime Pereira, aposentado

É uma bagunça. A cidade perde prestígio e credibilidade. Tenho vergonha de falar que moro em Bauru. Gioconda Paluan, comerciante

Acho uma vergonha. Prefeito é eleito para cumprir o mandato até o fim. Vânia Martins, doméstica

Há uma preocupação de ataque mútuo. Ninguém pensa na cidade. Eraldo Armani, representante comercial