25 de maio de 2026
Geral

Carlos Alberto não é o Carlinhos

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O supervisor de obras Carlos Alberto de Souza não é o Carlinhos, menino raptado no Rio de Janeiro em 1973. O resultado negativo de dois exames de DNA realizados no Rio de Janeiro mantiveram em aberto um dos casos de desaparecimento mais famosos do País.

Não significa, no entanto, que a busca por Carlos Ramires da Costa, que na época do rapto tinha dez anos, tenha chegado ao fim. A mãe dele, Maria da Conceição Ramires da Costa, garante que não vai desistir de procurar o filho.

Ela recebeu ontem o resultado do exame na Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro. Carlos Alberto de Souza não acompanhou a divulgação (veja box nesta página).

“Ganhei um filho adotivo, mas não vou parar de procurar (o Carlinhos). Quem sabe da próxima vez o resultado não seja positivo”, especula Maria Conceição, ao se restabelecer da emoção.

Apesar de Carlos Alberto ser o 12º suposto Carlinhos a aparecer nos últimos 31 anos, ontem ela reiterou que nutria expectativas de ter encontrado seu verdadeiro filho. “Eu tinha esperanças porque existiam indícios”, enfatiza.

Os vestígios eram uma cicatriz no joelho, a cavidade do lado esquerdo e uma mancha do lado direito do rosto. Além das semelhanças físicas, o supervisor de obras ainda perdeu a memória relativa à infância. Apenas se recorda de uma longa viagem quando criança.

Porém também havia sinais que contrariavam as suspeitas, como por exemplo a de idade de dois, que não conferiam. Carlinhos teria hoje 41 anos e Carlos Alberto tem 38 anos. Além disso, a mãe biológica de Carlos Alberto, Maria Izabel de Souza, mostrou documentos escolares do filho anteriores a 1973, mostrando que ele já morava em Bauru.

“Para mim, o resultado não foi uma surpresa. Espero que toda esta história sirva para nos aproximar. Se eu soubesse que iria acontecer tudo isso, teria criado ele, mas a palavra de Deus diz que não cai uma folha sem a sua permissão”, diz Maria Izabel.

Carlos Alberto de Souza foi criado pelos avós e não mantém bom relacionamento com a mãe. Essa foi uma das razões que levou o Programa SOS Crianças Desaparecidas, do Rio de Janeiro, a investigar o caso por quase um ano.

A entidade recebeu uma carta anônima levantando suspeitas sobre a paternidade do supervisor de obras de Bauru. “Existindo 1% de possibilidade de localizar qualquer criança, nós investigamos. Neste caso tínhamos vários indícios. Vamos continuar as buscas porque existe uma aclamação nacional para se localizar o Carlinhos”, explica o gerente do programa, Luiz Henrique de Oliveira.

Ele espera que Carlos Alberto de Souza esclareça todas as dúvidas quanto à sua paternidade. No entanto, o advogado do supervisor de obras Eduardo da Silva informa que seu cliente nem ventilou a possibilidade de prosseguir com as investigações. “Todo o foro era no sentido de saber se ele era o Carlinhos”, finaliza. Carlos Alberto não foi encontrado ontem pelo JC para comentar o resultado dos exames.

Porém, anteontem, deu mostras de querer esquecer seu envolvimento com o caso. Disse que estava chateado com as acusações que atribuíram a ele a pecha de mercernário e que arcou sozinho com os prejuízos decorrentes de sua explosição na imprensa.

Mas se mudar de idéia e decidir apurar sua ascendência, o supervisor de obras contará com o apoio da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro.

De acordo com o inspetor do setor de descobertas de desaparecidos da delegacia carioca Robson Fontaneli, caso a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru inicie esta segunda etapa de apurações e precise de informações de lá, elas serão averiguadas e fornecidas. O inquérito policial que investigava o seqüestro já foi arquivado.

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