10 de julho de 2026
Cultura

O Rappa faz show do novo disco

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 2 min

“O Silêncio Q Precede o Esporro”, lançado este ano pelo grupo carioca O Rappa, marca uma nova fase na vida da banda. Trata-se do primeiro álbum de músicas inéditas desde 1999, quando gravaram o excepcional “Lado B Lado A”, e também o primeiro sem Marcelo Yuka, baterista e principal responsável pelas letras das canções dos três primeiros discos, que decidiu trilhar um caminho próprio após ter sido vítima de um incidente que o deixou em uma cadeira de rodas.

O título do disco faz referência justamente ao período que os quatro integrantes da banda: Lauro Freitas, Falcão, Xandão e Marcelo Lobato, ficaram pensando o seu renascimento. O resultado pode ser conferido hoje, a partir das 23h30, no palco da Cervejaria dos Monges.

Apesar de ter estreado no disco em 1994, com “O Rappa”, o grupo só apareceu de verdade com “Rappa-Mundi”, de dois anos depois, que trouxe uma penca de hits, entre eles, “A Feira”, “Pescador de Ilusões”, “O Homem Bomba” e “Vapor Barato”.

Com “Lado B...” veio a consagração. O disco é perfeito e, talvez, seja insuperável com suas letras inspiradíssimas (com destaque para “Minha Alma” e “O Que Sobrou do Céu”). Na realidade, trata-se de todo um pacote de excelência, do encarte aos vídeos que foram lançados, verdadeiros curtas com um quê de “Cidade de Deus”, antes que este fosse feito.

O novo disco, dizem os críticos, é, no mínimo, tão bom quanto o “Lado B”. Mas esse tipo de graduação não importa muito agora. Apesar da ausência de Yuka, o discurso político/social permanece na ordem do dia das canções de “O Silêncio...”. O som também não sofreu grandes alterações, está lá o pop/rock cheio de elementos eletrônicos, reggae e dub, além da sempre eficiente guitarra de Xandão marcando presença e os vocais inconfundíveis de Falcão.

Há também o lado eclético (ou seria democrático?). O disco - que tem as participações especiais de Zeca Pagodinho e da rapper argentina Malena D’ Alessio - traz uma inusitada regravação de “Deus lhe Pague”, de Chico Buarque e homenageia o poeta Wally Salomão (morto no ano passado) no uso de vinhetas que unem as músicas, fazendo com que soem quase como se fossem uma coisa só. Resumindo, é uma volta com força total.

• Serviço

Show do Rappa, hoje, às 23h30, na Cervejaria dos Monges, que abre às 22h. Avenida Getúlio Vargas, 7-50. Informações: (14) 3234-7773.