08 de julho de 2026
Saúde

Anvisa combate produtos sem registro

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

A busca pelo corpo perfeito abriu uma porta no mercado para o aparecimento de um número gigantesco de produtos que prometem ótimos resultados sem nenhum sacrifício. O problema é que boa parte do que é vendido encontra-se em situação irregular. Combater a propaganda e o comércio de produtos que não têm registro é uma das metas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para este ano.

De acordo com a Agência Saúde (assessoria de imprensa do Ministério da Saúde), na ânsia por resultados imediatos, sem esforços, muitas pessoas recorrem indiscriminadamente a alternativas como equipamentos de ginástica passiva, aplicação de fosfatidilcolina, bronzeamento artificial, moderadores de apetite, entre outros métodos. Usados inadvertidamente, eles podem representar uma importante ameaça à saúde.

Um dos principais problemas apontados pela Anvisa é o risco de intoxicação pela ingestão inadvertida de medicamentos. Dados do Sistema Nacional de Infecções Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) mostram que, em 2001, foram registrados 75 mil casos de intoxicação humana. Desses, 21 mil (28% dos casos) foram causados por medicamentos. Entre eles, os moderadores de apetite.

Ao lado dos remédios, as cirurgias e outras intervenções estéticas também têm sido muito procuradas. Entre as polêmicas mais recentes no Brasil, está o uso da fosfatidilcolina - um produto usado em injeções para dissolver gordura localizada.

No início do ano passado, a Anvisa proibiu em todo o País a fabricação, importação, distribuição, comércio e uso, para fins estéticos, de todo medicamento injetável - comercial ou manipulado - que contenha fosfatidilcolina. A justificativa está na falta de registro e na ausência de informações sobre a segurança do produto.

“É que, na verdade, esse é um medicamento cardiológico indicado e registrado fora do Brasil para o tratamento de embolia gordurosa. Para o produto voltar a ser comercializado, a indústria farmacêutica deve comprovar, em sua solicitação de registro, a segurança da sua utilização no combate à gordura localizada”, informa a Agência Saúde.

Outra iniciativa da Anvisa foi a regulamentação das câmaras de bronzeamento artificial. Entre várias normas determinadas pela resolução destaca-se a exigência de exame médico preventivo para a realização do procedimento. O governo também se diz atento aos equipamentos de ginástica passiva. Numa fiscalização realizada em 2001, verificou-se que apenas cinco marcas possuíam registro no País.

A gerente de Controle e Fiscalização de Medicamentos e Produtos da Anvisa, Maria José Delgado Fagundes informa, por meio da assessoria de imprensa, que universidades das cinco regiões do País uniram-se no ano passado para monitorar propagandas e medicamentos.

“Foram apreendidos 78 produtos comercializados sem registro e suspensas nove peças publicitárias que divulgavam produtos - também sem registro - para perda de peso”, comenta.

Ela lembra que, mesmo quando conduzidas por profissionais sérios, as intervenções estéticas envolvem riscos que não podem ser ignorados. Para quem está disposto a tomar medicamentos ou fazer intervenções em busca da perfeição estética, ela recomenda que não o façam antes de procurar orientação médica.

Para os que ignoram a recomendação e adquirem produtos sem registro, ela alerta que a Anvisa não pode responder pelo males que eles provocam à saúde. “Hábitos mais saudáveis, como a prática de atividades físicas e uma dieta equilibrada, continuam sendo a melhor maneira de ficar em forma”, orienta.