08 de julho de 2026
Geral

Infertilidade atinge 15% dos casais

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Estudos indicam que entre 10% e 15% dos casais no mundo enfrentam a angústia de não conseguir engravidar. Segundo o Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia (IPGO), isso representa cerca de 5 mil casais só em Bauru. O cálculo toma por base o último censo populacional, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano 2000.

O censo mostra que o número de mulheres que residem em Bauru chega a aproximadamente 166 mil. Pela amostragem, 37% do universo feminino da cidade (cerca de 62 mil mulheres) pertence à faixa etária entre 20 e 44 anos (idade reprodutiva).

Destas, metade estão casadas - formal ou informalmente - e desejam constituir família. Se 15% dos casais encontram dificuldade para ter filhos, pode-se estimar cerca de 5 mil casais nessa situação em Bauru.

Médicos especialistas em reprodução humana explicam que as razões para isso podem estar numa infinidade de alterações. O fator masculino é responsável por aproximadamente 40% dos casos. O feminino por outros 40%. Nos 20% restantes, a infertilidade encontra-se na combinação de ambos os cônjuges.

“É importante salientar isso, porque os homens são mais resistentes para buscar ajuda. É difícil fazê-los aceitar o exame de espermograma”, observa o médico do IPGO, Arnaldo Cambiaghi.

Os ginecologistas Eduardo Crivelari Baisch e Daniele Mansur Varjão explicam que as principais causas de infertilidade na mulher são disfunções hormonais, alterações na anatomia do aparelho reprodutor ou na produção de muco e doenças do aparelho reprodutor.

“Uma produção hormonal irregular pode prejudicar a ovulação. Alterações na produção ou composição do muco vaginal (por onde os espermatozóides nadam) também podem dificultar o deslocamento dos espermatozóides até as trompas”, observa Varjão.

Anomalias nas trompas (obstrução por estreitamento ou aderências) podem impedir que os espermatozóides se aproximem e fecundem os óvulos. E se o útero tiver um formato irregular também pode haver dificuldade no processo de fixação do embrião em seu interior.

No âmbito das doenças, os especialistas citam infecções sexualmente transmissíveis que podem obstruir as trompas ou danificar outras estruturas reprodutoras, levando à infertilidade.

Eles também chamam a atenção para a endometriose - um distúrbio em que o sangue da menstruação, ao invés de ser eliminado, retorna ao interior do organismo. Ao revestir os ovários e as trompas, ele prejudica o processo de fecundação.

“A endometriose é um distúrbio difícil tanto de se diagnosticar quanto de se reverter. O diagnóstico só é feito por videolaparoscopia (procedimento cirúrgico) e o tratamento é muito caro. Recentemente, ele passou a ser oferecido pelo SUS (Sistema Único de Saúde), mas ainda é difícil conseguir pela saúde pública”, salienta Baisch.

Nos homens

De acordo com o médico urologista Aguinaldo Nardi, a infertilidade masculina está sempre relacionada à inexistência ou quantidade reduzida de espermatozóides no sêmen (líquido ejaculado) ou à baixa motilidade deles - espermatozóides pouco ágeis não conseguem “nadar” até o óvulo.

O médico explica que o ideal é que o homem elimine pelo menos 20 milhões de espermatozóides em cada ejaculação. Deste total, pelo menos 10 milhões precisam ter uma boa motilidade.

“Uma das causas da infertilidade masculina é a varicocele - varizes nas veias que levam o sangue do testículo para o coração. Quando essas veias são dilatadas, há um refluxo de sangue (repleto de gás carbônico) para o testículo e isso causa uma intoxicação nos espermatozóides”, explica. Segundo ele, a varicocele pode ser corrigida cirurgicamente.

A baixa motilidade dos espermatozóides pode ser conseqüência de alterações fisiológicas, problemas na produção das células. Mas o médico salienta que, muitas vezes, ela pode ser resultado de fatores externos.

Outro fator de esterilidade citado pelo médico é a obstrução do canal deferente, que leva os espermatozóides até o líquido seminal. Isso pode acontecer por alterações anatômicas ou como conseqüência de uma vasectomia.

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Arrependimento

Segundo os especialistas, a maioria dos casais que procura um tratamento para engravidar quer reverter cirurgias de esterilização realizadas anteriormente.

“São homens e mulheres que fizeram vasectomia ou laqueadura num primeiro casamento, depois casaram-se uma segunda vez e querem ter filhos com o novo cônjuge. Entre os homens que procuram a clínica, 64% querem reverter uma vasectomia”, destaca o urologista Aguinaldo Nardi.

Ele afirma que a medicina já consegue reverter o procedimento há vários anos, mas o sucesso da reversão é inversamente proporcional ao tempo em que a esterilização foi realizada. Quanto mais recente a vasectomia, maior a possibilidade de se conseguir religar as estruturas cortadas.

Quando a reversão não é possível, a solução pode estar nos tratamentos de reprodução artificial.