09 de julho de 2026
Regional

Atores se emocionam com os personagens

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O pedreiro Lino Pereira dos Santos tem 45 anos e há 28 participa da encenação de Cristo na cidade de Macatuba. “Já fiz vários papéis. Fui ladrão, apóstolo e há quatro anos sou o Cirineu, aquele que ajuda Cristo a carregar a cruz.”

Como ajudante de Cristo na missão de carregar a cruz, ele se sente valorizado. “É muito emocionante. Sem querer sai uma lágrima e mais uma e mais, quando percebo estou chorando.”

Católico fervoroso, ele lembra que a sogra e a filha também trabalham na peça. “Elas são figurantes. Já a minha mulher não trabalha, mas coopera com os ‘atores’ da família.”

Encenar a paixão de Cristo é sempre uma emoção para o pedreiro, Valter Gabani, 39 anos, que há 13 faz o papel de soldado. “Meu coração dispara. Mesmo já tendo representado o papel várias vezes, cada vez é como se fosse a primeira.”

Montado em seu cavalo, o soldado não tem fala durante a encenação. “Eu não falo nada, mas o meu papel exige muita atenção porque trabalho com o cavalo e o animal se assusta com tanta gente e com os efeitos especiais.”

Despreocupado com a fama, ele conta que leva muito a sério o teatro. “É a história da bíblia que estamos encenando, por isso tenho que ter respeito. Nunca pensei em ser ator e nem famoso, me preocupo é com a interpretação da cena para que todos possam entender.”

Católico praticante, ele diz que durante a Quaresma não corta os cabelos nem a barba. “Escolho um dia para fazer jejum.”

O lavrador José Roberto Ribeiro, 26 anos, há quatro trabalha como soldado na encenação da paixão de Cristo. “Faço por amor a Cristo”, confessa. Ela diz que não tem palavras para expressar a emoção de ser “ator” na peça que ele, como católico, considera de suma importância. “É a história de Cristo.”

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Amigos

Cada integrante do teatro em Macatuba mantém uma relação bastante próxima da diretora Doralice Munhoz. “Eles me respeitam e me entendem. Quando estou ensaiando, eu grito e exijo perfeição, mas tudo é feito com muito amor, por isso, eles aceitam”, comenta.

Para ela, cada personagem é um amigo. “Quando se aproxima a Semana Santa e os trabalhos se intensificam, eles se preocupam comigo. Como eu trabalho meio período e só depois vou para o ensaio, é comum eles trazerem alimentação para mim.”

Pessoas simples e de coração puro integram a equipe. “São, em sua maioria, pessoas que trabalham como pedreiros, carpinteiro, lavradores etc.”

Religiosa, porém não fanática, Dora confessa que respeita as tradições da Igreja Católica, mas não faz grandes penitências durante a Quaresma. “Eu me abstenho de comer carne vermelha e leio a bíblia. Procuro na leitura aquilo que posso colocar em prática.”

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Apresentações

Ibitinga: “Via-Sacra ao Vivo”- dia 7 e dia 9 (Quarta e Sexta-feira Santa), às 20h30, no Estádio Municipal.

Macatuba: “Encenação e Paixão de Cristo”, sexta-feira, dia 9, às 15h30, em frente à igreja matriz.

Vera Cruz: dia 9, sexta-feira, às 20h, em frente à igreja matriz.