10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Projeto aposta no associativismo

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

O Sebrae-SP e a Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) apresentam nesta semana a pequenos empresários, profissionais liberais e autônomos um projeto que pode redirecionar a gestão de seus negócios e mudar a maneira de encarar a concorrência. É o Projeto Empreender, que será lançado oficialmente nesta quarta-feira na cidade e que pretende alcançar o desenvolvimento de micro e pequenas empresas através de parcerias e associativismo.

O projeto, que também é de iniciativa da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), é inspirado em um programa alemão e tem sua atuação baseada na formação de núcleos ou grupos setoriais - com empreendedores de um mesmo setor do mercado - que se reúnem para discutir os problemas que enfrentam e encontrar soluções para estas questões. Na região, alguns núcleos já colhem frutos do sucesso da iniciativa

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O gerente regional do Sebrae-SP, Milton Aparecido Debiasi, explica que o Empreender é voltado para o desenvolvimento de pequenos empresários de toda espécie. “Desde a pessoa que faz salgados em casa até as empresas que faturam R$ 3 milhões por ano, pois todos têm problemas na gestão empresarial. Quando se começa a trabalhar com os empresários nos núcleos, você potencializa cada setor da economia, pois um dos objetivos do projeto é provocar o desenvolvimento local, com melhorias na renda e no emprego”, aponta.

Os empreendedores participam de reuniões semanais ou quinzenais, sob a coordenação de um consultor. Segundo Debiasi, a metodologia utilizada nas reuniões possibilita que os próprios empresários tornem-se os coordenadores do núcleo após sua estruturação. “É uma metodologia de planejamento participativo, onde todos têm a possibilidade de se manifestar e participar na solução dos problemas. O objetivo é potencializar o negócio de forma conjunta, sem entrar na individualidade de cada um. Depois de um tempo, o grupo continua sozinho”, afirma.

Para o presidente da Acib, Cássio Carvalho, o Projeto Empreender vai ser uma importante contribuição para a organização e modernização dos empresários bauruenses. “Eles vão aprender a se organizar em sociedade - coisa que não sabem fazer, porque são individualistas. Quanto mais aberto o empresário estiver e mais parceiros conseguir, mais saudável será a concorrência entre eles, porque o setor terá um poder de fogo maior. O núcleo funciona como uma cooperativa setorial”, ressalta.

O Projeto Empreender foi aplicado pela primeira vez em 1991, na cidade de Joinville (SC). Atualmente, ele já está em execução em 27 Estados, e até o ano passado, mobilizava cerca de 38 mil empresas, divididas em 2.832 núcleos. Em São Paulo, 116 cidades já contam com a iniciativa e na região de Bauru, já existem mais de 40 núcleos formados e 550 empresários participantes, com cerca de um ano de trabalho.

Cadeias produtivas

Na opinião de Aline Fogolin, que é consultora do Projeto Empreender em Bauru, a cidade tem várias cadeias produtivas que poderão se beneficiar ao participar da iniciativa, com aumento da lucratividade, geração de empregos e redução da mortalidade das empresas.

“Todo setor que procurar a Acib será atendido e vamos tentar montar um núcleo. É interessante porque o projeto consegue atingir desde o microempresário lá do bairro, que precisa crescer, até aquele bem estruturado. Também não há restrições para empreendedores novos ou antigos, pois a troca de experiências é muito rica, tanto para quem está começando quanto para o que já está estabelecido e pode quebrar sua resistência a mudanças”, declara.

Concorrência?

Aos empresários, pode parecer que a formação de um núcleo de trabalho junto a seus concorrentes diretos soa como uma idéia absurda. No entanto, a consultora do Empreender argumenta que a idéia do projeto é justamente quebrar esta prerrogativa.

“Atualmente, os empreendedores têm dificuldades financeiras e lidam com as turbulências do País diariamente e o associativismo quebra esta barreira, pois você deixa de ter concorrentes para ter parceiros. O núcleo tem uma estratégia de lucratividade, de qualidade do serviço, de desenvolvimento que faz os participantes se destacarem dentro do mercado”, indica Aline.

Em núcleos já formados, segundo a consultora, os empreendedores conseguem realizar compras conjuntas por preços menores, organizar missões empresariais, cursos de aperfeiçoamento e especialização e até implantar a padronização dos serviços.

“Existe um pouco do medo de não revelar os segredos, mas quando o pessoal começa a participar das reuniões, vê que não há segredos, que todo mundo faz a mesma coisa e comete os mesmos erros. Com o projeto, eles descobrem onde estão os maiores erros e começam a trabalhar o que todos têm de positivo”, conclui Carvalho.