Recentemente estive em uma festa, quando uma amiga inaugurou sua nova chácara. Esta festa fez-me refletir sobre a necessidade do lazer em nossas vidas. Todos nós possuímos um cérebro que nos presenteia com uma inteligência suficiente para termos uma consciência e, até mesmo, questionar a própria existência. Porém, o cérebro nos custa caro, consome 20% da energia que produzimos. O funcionamento perfeito do cérebro não é tão simples. O trabalho, a rotina diária cansa e desgasta o nosso ânimo e por isso necessitamos de descanso e lazer. E a necessidade desse descanso é reconhecida desde o tempo de Moisés, que instituiu o dia do descanso, o sábado (do hebraico Shabbath). Segundo a tradição judaica, até mesmo Deus descansou.
Bem, como nem todo mundo consegue juntar oitenta mil reais para comprar uma chácara bacana (preço médio da região), ainda mais ganhando uma renda mensal média de dois mil e quinhentos reais, é preciso buscar alternativas. Para isso servem clubes e áreas públicas que o município e o Estado têm.
Não custa lembrar que é durante o ócio que as idéias surgem aos homens. Acredita-se que foram os humanos que não partiam à caça, mas ficavam protegendo o acampamento e a alimentação, quem observavam o ambiente e desenvolviam conhecimento. Mais conhecida ainda é a fase de grande conhecimento filosófico que os gregos desenvolveram. Observa-se pelos livros de Platão que as grandes discussões filosóficas se davam em festas. Aliás, a palavra simpósio, usada para designar as reuniões científicas e tecnológica, é uma palavra grega que significa banquete.
Ainda hoje, o lazer principal de muita gente se resume aos encontros nos bares, onde se conversa como há milhares de anos. Antigamente, o lazer das pessoas, em geral, era idêntico, só que não nos bares, mas nas casas, ou seja, visitava-se amigos e parentes com muito mais freqüência com que fazemos hoje.
De acordo com diversas pesquisas, destacando as da Universidade de Maryland e de Chicago, cabe lembrar que o lazer sexual é melhor aproveitado pelos casados, pelos católicos, pelas pessoas progressistas. Ahhhh! Você tem posições conservadoras (qualquer do duplo sentido)? Há! Há! Há! Pague o preço por ser otário. Burrice custa caro!
A visão do relacionamento afetivo da mulher é ligeiramente diferente para o homem. Um quer carinho, o outro sexo. Os homens têm prazer fácil (rapidinho, né?), as mulheres nem tanto (quando têm, certo?). Quando em uma sociedade (o casal) só um sócio (o homem) ganha (prazer) e o outro perde (satisfação), a firma (o casamento) vai à falência (separação ou apatia ou desprezo ou ódio).
Jack Nicholson diz que não tem relações sexuais com suas fãs, prefere pagar prostitutas. Motivo? Pode mandá-las embora quando bem entender. Muita gente resolve sua diversão sexual pagando prostitutas ou mantendo amantes (pagando com presentes). De qualquer modo, as amantes e prostitutas sabem o que o homem quer, as esposa também sabem mas, no geral, não fazem. Também querem, com direito e com razão.
Talvez a diferença entre os homens e mulheres seja algo providencial, algo que complemente a relação e torne a vida a dois melhor e mais rica (e melhor sexo!). Nada melhor que a sinceridade para confessar (como nisso os católicos são bons, está explicado seu sucesso sexual) o que quer e procurar alegrar a vida do outro. Isso é amor, fazer o outro feliz (que é a essência do cristianismo). O egoísta acaba solitário (mulheres, aprendam a escolher bem). É a vitória do amor (magnânimo) na diversão humana. Quanto mais amor...
O autor, Mário Eugênio Saturno, é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) - E-mail: saturno@dea.inpe.br).