A vendedora e diarista Maria Aparecida Alves vem procurando a Prefeitura Municipal de Bauru há três anos para tentar ser ressarcida do pagamento de contas da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) referentes ao período em que uma empreiteira “puxou” energia elétrica de sua casa. Moradora do núcleo José Regino, ela ainda não recebeu qualquer resposta e comenta que corre o risco de perder sua residência, caso não receba o dinheiro que já pagou pelas contas, valor que ultrapassa R$ 800,00.
Segundo Maria Aparecida, na época em que a Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) “Gilda dos Santos Improta”, que fica em frente à sua casa, estava sendo construída, ela foi procurada por um funcionário da empresa responsável pela obra.
“Eles estavam pedindo para que os moradores deixassem ‘puxar’ energia, porque ainda não tinham força ligada na construção. Todos os vizinhos negaram, mas como eu tenho dois relógios em casa, deixei ligar para usar energia, desde que pagassem a conta”, relembra.
A reportagem do JC conversou com alguns vizinhos, que confirmaram que Maria Aparecida realmente deixou a empresa “puxar” energia de sua casa. A vendedora comenta que um dos responsáveis pela obra pagou apenas as contas dos dois primeiros meses. “Eles ficaram muito tempo usando meu relógio, porque a obra durou mais de dois anos. Diziam que iam acertar tudo com a prefeitura e que eu não precisava me preocupar. Mas a empreiteira abandonou a obra, que ficou parada um tempão, até que a prefeitura terminou rapidinho em 1999, quando faltavam dois meses para a eleição”, afirma Maria Aparecida.
Ela garante que pagou diversas contas, que totalizam mais de R$ 800,00, e por conta disso, deixou de pagar as parcelas da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) referentes à sua casa. “Eu quero que esse problema seja resolvido para que eu possa pagar as parcelas atrasadas. Minha casa está em jogo por causa disso e a prefeitura já está ciente do caso, me pedem prazos mas nunca resolvem nada”, diz.
O assessor de Gabinete do prefeito Nilson Costa (PTB), Antônio Pereira da Silva, confirma que foi procurado pela vendedora e que a administração municipal irá ressarci-la pelas contas pagas. “Estamos procurando um meio para pagar, pois não temos como tirar esse dinheiro do caixa, temos que explicar isso para o Tribunal (de Contas)”, afirma.
Segundo Pereira, Maria Aparecida havia entregue as contas originais para um assessor de Dudu Ranieri (PFL), na época em que o vice-prefeito assumiu a administração enquanto Nilson Costa estava afastado pela Justiça, no ano passado. “Ela procurou a prefeitura naquela época e esse assessor sumiu com as contas dela. As contas que eu tenho aqui comigo são segunda via, que ela trouxe na semana passada”, aponta.
O assessor ressalta que não é comum que empreiteiras peçam energia elétrica “emprestada” a moradores. “Esta empresa fez um acordo com ela (Maria Aparecia), enquanto construía a escola. Mas a empresa faliu e a prefeitura teve de terminar a obra. Porém, essa energia que a empresa usou, nós vamos pagar, só estou conferindo as contas e acertando o quanto ela tem para receber”, conclui Pereira.