08 de julho de 2026
Regional

Unesp inicia programa de inclusão digital

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - A Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu ( 100 quilômetros a Sudeste de Bauru) iniciou ontem um projeto de inclusão digital, que vai atender menores carentes assistidos pelo Ambulatório de Adolescentes do Departamento de Pediatria da instituição.

Inicialmente, 15 jovens com idade superior a 12 anos serão beneficiados. O projeto oferecerá cursos de introdução à computação duas vezes na semana, no período da manhã.

As aulas com a primeira turma terão duração de um semestre e serão ministradas pelo coordenador do Laboratório de Informática da Unesp, Luiz Aurélio Pagani, com o apoio de monitores e voluntários. Ao final da atividade, novas turmas serão selecionadas.

Para Luiz Aurélio, a inclusão social nos dias de hoje passa necessarimente pelo domínio da informática. “A gente não consegue enxergar uma inclusão social se você não tiver a inclusão digital”, diz. “Nós temos um problema social seríssimo que é a falta de emprego. Se você não capacitar as pessoas, elas terão cada vez mais dificuldade para procurar uma posição no mercado”, avalia.

Além de prepará-los no aspecto profissional, Luiz Aurélio afirma que, com o suporte da informática, as aulas abordarão também questões importantes para a formação social dos adolescentes, voltadas para a educação e saúde.

O laboratório da faculdade conta com 17 computadores e foi inaugurado há cerca de um ano. Até então, o espaço havia sido utilizado somente para programas de inclusão digital direcionados aos funcionários. Agora, explica Luiz Aurélio, a partir de um projeto de extensão da faculdade, a infra-estrutura do local servirá também para atender jovens da comunidade.

Na avaliação do coordenador, a iniciativa deve crescer e atender um número maior de alunos no futuro. “Já existe uma fila de interessados” conta. “Mas esse número inicial é o que podemos acomodar agora”, completa.

Ambulatório

O Ambulatório de Adolescentes do Departamento de Pediatria da faculdade, coordenado pela professora Tamara Beres Lederer Goldberg, está à frente do projeto de inclusão digital dos jovens carentes.

A unidade é formada por uma equipe multidisciplinar e atende de forma integral e continuada cerca de 900 menores por ano. Além do tratamento de problemas de ordem física, emocional e psicológica, o ambulatório orienta os jovens no relacionamento social e os auxilia na formação educacional e profissional.

Segundo Tamara, foi durante esse trabalho assistencial que a equipe observou que muitos jovens carentes apresentavam problemas para serem incorporados no mercado de trabalho. Diante dessa realidade, surgiu a idéia de implantar um projeto de inclusão digital direcionado ao grupo.

Com o objetivo de viabilizar a iniciativa, a professora afirma que, há cerca de 1 ano, a instituição solicitou auxílio da Pró-Reitoria de Extensão (Proex) em São Paulo, mas não obteve resultados.

Mesmo assim, a equipe não desistiu da idéia e decidiu viabilizar a iniciativa contando com a infra-estrutura do laboratório da própria faculdade.

Para ela, iniciativas como essa são determinantes para a melhoria da qualidade de vida dos jovens de classes menos favorecidas.

“Quando você fala em qualidade de vida, você está falando de lazer, de profissionalização, de tudo que possa melhorar a situação desses jovens. Acho que a gente está dando mais uma ferramenta para que eles tenham sucesso”, avalia.