11 de julho de 2026
Articulistas

Iraque, país reaberto aos negócios


| Tempo de leitura: 2 min

As más notícias em torno do Iraque são tantas, e tão freqüentes, que pouca gente deve se lembrar que o país árabe já foi um dos parceiros comerciais mais importantes do Brasil. De 1981 até novembro de 2003, o Brasil exportou US$ 3,6 bilhões. Trata-se de um número considerável, especialmente se observarmos que o País importou de lá US$ 3,3 bilhões (entre 1986 e novembro de 2003), notadamente de petróleo bruto, comodity hoje em vias de ser integralmente substituída pela exploração interna brasileira.

O histórico das exportações revela que a pauta brasileira sempre se destacou pela variedade. A lista de produtos vendidos ao mercado iraquiano cobria desde o açúcar, carne de frango e leite integral em pó até bens de maior valor agregado como peças para veículos, máquinas, equipamentos, papel, material escolar e de construção, além de serviços. Foi notória também a participação brasileira na construção de obras básicas e complexas no Iraque, prova de que a excelência da engenharia brasileira pode alcançar os lugares mais distantes. Dessa forma, o Brasil garantiu para si o status de referência para os empresários iraquianos, nos últimos anos impedidos de continuarem normalmente as relações comerciais com o mundo.

Foi justamente esse histórico de relacionamento que levou um grupo de empresários iraquianos refugiados e radicados no Brasil, há mais de 15 anos, a criarem a Câmara de Comércio e Indústria Brasil Iraque (www.brasiliraq.com.br e http://www.brasiliraq.com.br). A organização não tem fins lucrativos e já está trabalhando para reacender as relações comerciais entre os dois países (...)

A Câmara fez um levantamento junto a 100 empresários e 35 grupos importadores. Nessa sondagem, constatou que apenas as exportações brasileira ditas “periféricas” podem chegar a US$ 1,2 bilhão por ano. Isso durante os primeiros cinco anos de reconstrução do Iraque. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na visita que fez aos países árabes, afirmou que o Brasil quer valorizar a afinidade comercial e cultural com o Oriente. No caso do Iraque não será difícil porque o país esteve distante apenas por causa dos conflitos políticos dos últimos anos, que forçaram o produto brasileiro a entrar no mercado iraquiano por outras vias do Oriente, o que evidentemente resultou em sobrecarga de custos.

O retorno do Iraque ao palco do comércio internacional é uma realidade irreversível. Devido aos elevados custos políticos da ocupação do país, é preciso também levar em conta o seu papel e presença estratégica relevante no Oriente, o que justifica a prioridade internacional em reconstruí-lo, abrindo dessa forma grandes oportunidades comerciais. Essa investida de duas mãos torna-se fundamental para a pretensão dos dois países no cenário internacional. Trata-se, sem dúvida, de um excelente recomeço.

O autor, Jalal Jamel D. Chaya, é presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil - Iraque.