O vereador João Parreira de Miranda (PSDB) prometeu protocolar ainda hoje na Promotoria de Cidadania e Patrimônio Público as gravações com fornecedores que levariam à existência de suposto esquema de cobrança de propina na Prefeitura Municipal de Bauru.
O parlamentar afirmou que, além da conversa gravada com o empresário Antonio Roberto Palharim, vai apresentar ao Ministério Público (MP) diálogos mantidos com pelo menos outros três fornecedores. A fita k 7 contendo o diálogo com Palharim foi divulgada na sessão de anteontem da Câmara.
Na conversa, o empresário contratado pela prefeitura para prestar serviço de locação de máquinas fala no pagamento de cerca de 16,5% do crédito que tinha a receber da prefeitura, no final do ano passado.
A conversa foi realizada em janeiro deste ano. Mas, em depoimento à Polícia Civil, Palharim nega o pagamento do “pedágio” para receber seu crédito. No final de 2003, o fornecedor tinha um saldo de cerca de R$ 49 mil da prefeitura. O contrato foi liquidado até o final do ano.
O vereador explica que as novas gravações têm conexão com a já divulgada. “Temos as gravações com outras pessoas que confirmam o pagamento de propina”, cita. Segundo Parreira, são empresários também do ramo de locação de máquinas que prestaram serviço para a prefeitura junto com a empresa Palharim & Cia, em 2003.
Além de tentar levantar a existência de esquema de propina, com a utilização de um intermediário para a liberação dos pagamentos dos fornecedores, o vereador acrescenta que as novas gravações mantêm outra relação com o diálogo mantido com Palharim. “O empresário fala na gravação divulgada na sessão da Câmara que foi consultou parceiros e estes concordaram com o pagamento de propina. E essas gravações vão confirmar que isso ocorreu”, explica.
Novos diálogos
Dois dos novos diálogos gravados foram realizados pelo próprio Parreira. Uma outra conversa teria sido mantida entre o vereador José Clemente Rezende (PSB) e outro empresário que prestou serviços para a prefeitura. Das três novas gravações, dois empresários seriam de Bauru e um terceiro de Pirajuí, cidade da região.
Mas, outras gravações podem vir à tona. João Parreira conta que, do início do ano para cá, tem mantido contatos com fornecedores e representantes também do Palácio das Cerejeiras tratando sobre as denúncias.
Nos bastidores, a equipe mais próxima do prefeito mostra apreensão com a possibilidade de alguém de dentro do próprio governo ter colaborado com o levantamento do tema.
Inquérito
O delegado Seccional em exercício, J.J. Cardia, remeteu a cópia da gravação do diálogo mantido entre Parreira e Palharim para o registro do inquérito, ontem. O material, segundo ele, está sendo encaminhado para perícia. A cópia da gravação veiculada por João Parreira na sessão da Câmara foi feita pelo próprio Gabinete do prefeito Nilson Costa (PTB).
Depois disso, serão ouvidas as pessoas relacionadas ao diálogo. A Polícia Civil tem 30 dias para concluir o inquérito. O prazo pode ser prorrogado por igual período.