Agudos – Em um trabalho conjunto entre as polícias Civil e Militar, foram presos em Agudos (18 quilômetros a Sudeste de Bauru), entre ontem e anteontem, os acusados pela morte do vigilante Antônio de Moraes Gomes, 24 anos.
O lavrador Deusdete Aparecido Macedo, 27 anos, e o autônomo Lamarc Pereira Nunes, 19 anos, devem responder por homicídio qualificado, cuja pena prevista vai de 12 a 30 anos de prisão.
A vítima foi encontrada no último dia 3 no banheiro da casa de um colega no Jardim Europa, em Agudos. Ele foi assassinado com um golpe de machado.
De acordo com Eron Veríssimo Gimenez, delegado titular do município, Nunes reservou-se ao direito de permanecer calado e só se pronunciar sobre o caso em juízo. Já Macedo, em depoimento, teria confessado o crime e contado detalhes da ação na residência.
Segundo o delegado, ele afirmou que o assassinato foi motivado por uma discussão fútil. A vítima estava na casa do pedreiro Rubens Piemonte Faria, 37 anos, junto aos dois acusados. Antes do crime, o grupo teria bebido pinga e jogado baralho.
Em determinado momento, Macedo teria iniciado uma discussão com a vítima. Nunes teria entrado na briga em favor do lavrador e, juntos, os acusados agrediram Gomes com chutes e socos. O vigilante conseguiu correr para a rua, mas foi alcançado pelos acusados e levado novamente para o interior da casa. “Após muita agressão física, eles amarraram os pés, mãos e o pescoço da vítima”, descreve o delegado.
Segundo ele, Gomes foi levado para o banheiro ainda com vida e deixado debaixo do chuveiro. Antes de assassinar a vítima, os acusados ainda teriam feito uma refeição. Em seguida, teriam atingido o vigilante com um golpe de machado. “Ela (a vítima) estava completamente incapaz de oferecer resistência”, descreve Gimenez.
Logo após o assassinato, a dupla fugiu do local. O proprietário da residência que, segundo o delegado não teve participação no crime, era colega da vítima e dos acusados. Ele saiu de casa por volta das 17h30 para ir a um bar e deixou os amigos na casa. Quando retornou, duas horas depois, encontrou a vítima morta e acionou a polícia.
O delegado ingressou com um pedido de prisão temporária, que foi aceito pela Justiça de Agudos. Desde o dia do assassinato, a polícia realizou diversas buscas pela cidade até que localizou os acusados, com o auxílio de denúncias anônimas. Eron preferiu preservar o local onde os acusados foram presos para não comprometer os denunciantes.
Segundo Gimenez, Macedo conhecia a vítima há 16 anos e não havia registros de desentendimentos anteriores entre os colegas.
O delegado descarta a possibilidade do crime ter sido premeditado. Ele acredita que o episódio tenha sido motivado pela discussão que teve início dentro da própria casa. “Já está provado que não havia desavença anterior. Os fatos se deram naquele dia, naquela casa”, diz.
Apesar do motivo fútil, Gimenez afirma que houve requintes de crueldade e violência na ação dos acusados. “Foi um crime bárbaro, que trouxe grande comoção e revolta na sociedade”, conclui.
Esse foi o segundo homicídio do ano registrado em Agudos.