08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Lula, o povo quer trabalhar


| Tempo de leitura: 2 min

Diálogo que “mantive” com jovem motorista de táxi na última semana enquanto me dirigia ao aeroporto de Congonhas. Educado, boa aparência, trabalhava na parte da manhã com o carro do pai, estuda no período noturno.

- Para quem você votou para presidente?

- Votei no Lula - responde seco o jovem motorista.

- Você está descontente com o governo dele?

- O que o senhor acha? Tenho algum motivo para estar satisfeito? - responde um pouco mais alterado.

- Qual a razão desse descontentamento todo?

- O Lula prometeu muita coisa e não está cumprindo. Veja o meu caso. Trabalho com táxi não que gosto, mas sim porque não consigo emprego em lugar nenhum e preciso de dinheiro para pagar a faculdade.

- Não desanime, acrescento. O plano do governo para 2004...

Interrompe minhas palavras e coloca ponto final na conversa.

- O povo não quer planos, viagens, discursos. O governo fala muito e faz pouco. O povo quer trabalhar!

Papo encerrado, fico calado até a chegada ao meu destino. “É, ele tem razão”, penso eu com meus botões. Jovem cheio de vida e esperança começa a sentir-se frustrado, pois o novo Brasil, com 10 milhões de novos empregos, café da manhã, almoço e jantar para todo brasileiro está custando a chegar. Pelo contrário. A economia não cresce, a renda diminui e - segundo o IBGE - a oferta de empregos no setor industrial caiu 0,5% em 2003.

Enquanto isso, no “mundo da fantasia” (“só eles acham que está tudo bem”, ainda de acordo com o jovem motorista), os “planos” são muitos. Não haverá Plano Lula ou Plano Palocci, afirma nosso presidente. O plano é aquele que aí está, sem mágicas. Alguns economistas rebatem dizendo que não haverá Plano B - como alguns supõem possa vir a acontecer - simplesmente porque o governo não tem plano nenhum hoje. A oposição ao governo - especialmente o PSDB - não deixa por menos e afirma que o PT não tem plano de governo. “O que eles têm é plano de poder”. Cerca de 20 mil companheiros foram colocados na máquina governamental, sem falar no objetivo de triplicar o número de prefeituras - 197 para 600 - nas próximas eleições.

Não há como negar que o governo conseguiu estabilizar a economia depois do pânico pré-eleitoral de 2002. O risco Brasil baixou, o dólar caiu, a bolsa subiu, os juros começaram a ceder. Tudo muito bom, mas na ótica do trabalhador - ou melhor, daquele que procura trabalho - tudo isso tem pouca serventia. É raro encontrarmos hoje uma família que não tenha algum parente desempregado. E não é por outra razão que a última pesquisa CNT/Sensus mostra que 42% dos brasileiros acham que o presidente Lula não cumpriu as promessas de campanha contra 27,2% em março de 2003. Se ele prometeu que teríamos um espetáculo do crescimento e que em seu governo geraria 10 milhões de novos empregos, deveria saber como fazê-lo. É o que muitos advogam, inclusive eu.

Alvino Fernandes - RG 6.123.901