08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Movimentos migratórios


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Todo final de governo sem possibilidades de solução de continuidade é mais ou menos a mesma coisa: a debandada é geral. Poucos são os que se predispõem a ficar até o fim, para apagar as luzes e fechar as portas. A grande maioria daqueles que gravitam em torno do poder e que deixam de vislumbrar aquela frenética e interminável troca de favores, benefícios e outras benesses, batem as asas, indo em busca de quem volte a lhes oferecer uma renovada fatia de tão disputado queijo. E aquele que ainda detém o poder, se vê cada vez mais só, isolado, pois quase mais nada tem a oferecer como chamarisco para esse “seleto” grupo de pessoas.

Percebemos nitidamente essa movimentação, muito evidente em governos impopulares, construídos no toma-lá-dá-cá. Não existem escrúpulos no momento da vinda, muito menos na debandada. Os acenos de deixarem a cena não costumam acontecer todos ao mesmo tempo. Primeiro, um escolhe um momento morno e diz tchau. Logo a seguir, outro se diz descontente, passando a ter uma postura oposta a tudo o que praticou até então. Outro, passa a sondar seu ingresso em outro grupo, antagonista do seu, mas em ascensão num futuro bem próximo. Afirmam algo hoje e amanhã já estão se contradizendo. Nada que espante, pois sempre agiram dessa forma. E esse é o momento da migração.

É muito fácil de identificá-los. São do tipo camaleão. Se hoje o negócio é ser PT do C, serei petecista. Ocorrendo uma mudança radical, com os ventos soprando para o PD e F, logo serei pedefista. Porém, até se o radical PM do Z conquistar o poder, nada mais moderno do que estar aliado ao pemezismo. Gostam de viver no bem-bom e não conseguiriam sobreviver sem os benefícios de um ar-condicionado eternamente ligado, uma poltroninha macia e uns extras na conta bancária. Fiquem atentos e quando isso começar a acontecer, anotem os nomes de todos e risquem definitivamente do mapa político. Não valem nada.

Henrique Perazzi de Aquino - RG 9.710.205-2