Nada melhor do que ter um ponto de referência quando se vai a um lugar desconhecido. São Pedro do Atacama é isso: a Capital do lugar mais árido do mundo.
Foi fundada por Pedro de Valdívia, comandante da expedição armada que expulsou do lugar os nativos, e hoje atrai turistas em busca de cultura, história e diversão.
Gente que além do embalo noturno quer conhecer como vivem seus cerca de 3 mil habitantes, que moram em casinhas típicas geminadas. Edificações que seguem a arquitetura dos seus ancestrais, erguidas com tijolo adobe e paredes de pedras vulcânicas.
Uma cidadezinha que lembra os filmes de faroeste, com ruas de terra, casinhas erguidas com terra, palha e pedra e um certo clima de “lugar fantasma”. A pequenina San Pedro de Atacama é imperdível. Parece se fundir na paisagem cor de ocre, dominada pelo Vulcão Licancabur. Faz parte do conjunto do Atacama.
No passado, ela foi o principal centro da cultura atacamenha, criada por este povo andino, acredita-se, há 11 mil anos. Adiante na história, sofreu influências incas e espanholas. Hoje, seus habitantes recebem de braços abertos os turistas que querem conhecer o Atacama.
Católicos praticantes
A visita começa pela praça principal, palco de festas religiosas. Uma das principais, para o padroeiro do povoado, ocorre dia 29 de junho. É na praça que está o único monumento local: uma simples igreja colonial (1557), com forro de madeira de cactos. De lá, é um pulo até o mercado de artesanato, onde nativos vendem desde chá de coca a malhas em lã de alpaca, panos coloridos e caixinhas feitas com a planta cactácea.
Para saber tudo sobre a evolução do povo atacamenho, o Museu Arqueológico dá uma aula. Fundado pelo jesuíta belga Gustavo Le Paige, reúne 3 mil peças entre cerâmicas, vestimentas tumbas e objetos domésticos
Atmosfera cosmopolita
Quando a noite cai em San Pedro, uma única rua ganha vida, a Caracoles. Nela, dois locais são a amostra dos ares boêmios em pleno Atacama. Um deles é o Café Adobe, bar que serve pratos chilenos e internacionais. Visitantes europeus e moradores se divertem, sentados às mesas dispostas em torno de uma fogueira, ao som de ritmos mundanos
O La Estaka tem como ponto forte a comida vegetariana e as festas animadas por DJs. Mas a agitação tem hora para acabar: 2h da manhã, quando tudo fecha devido a uma lei municipal. Quem disse que não há regras no deserto?
• Serviço
Café Adobe: Caracoles, 211, tel. (00-5655) 851-132, site www.cafeadobe.cl. La Estaka: Caracoles 259-B, tel. (00-5655) 851-201, site www.laestaka.cl. Mais informações turísticas no site www.sanpedroatacama.com.
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Culinária para fortes
Ao contrário da Patagônia ou até mesmo de Santiago do Chile onde consome-se grande quantidade de peixes e frutos do mar, como o congrio e o salmão, no Norte o destaque da culinária fica por conta de pratos mais substanciosos (carnes e cereais como trigo, milho e quínua, encontrados apenas no altiplano, a região dos lagos e gêiseres).
O cordeiro e a galinha são as carnes mais disputadas, cozidas em caçarolas e servidas com os cereais e queijo de cabra (é grande a quantidade de cabrinos na região). Como o Atacama é um deserto com vida, em cada oásis encontram-se hortinhas com temperos básicos, essenciais para dar sabor especial às alquimias.
Outro detalhe curioso: no Atacama consome-se pouco açúcar por causa do custo. A substituição é feita pelo mel e frutas da região, como o pepino, que nada tem a ver com o pepino que nós brasileiros conhecemos.