11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Alunos de vários cursos da Unesp farão paralisação

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Pelo menos 500 estudantes da Universidade Estadual Paulista (Unesp) decidiram em assembléia realizada ontem à noite promover uma paralisação geral na próxima terça-feira. A medida tirada por unanimidade visa pressionar a reitoria a abrir concurso público para contratar professores efetivos.

A grande quantidade de profissionais temporários ministrando aulas como conferencistas está prejudicando os estudantes, situação que mobilizou inicialmente alunos de pedagogia. No entanto, ontem o JC apurou que a reivindicação conseguiu aglutinar também universitários de outros cursos oferecidos pela universidade.

“Pedagogia começou e todos se organizaram porque é uma situação comum. O que estamos vendo é o sucateamento da Educação”, confirma uma das coordenadoras do movimento estudantil, Renata Zuliani.

Segundo ela, os universitários também cobram a construção imediata dos laboratórios de química e pedagogia. Sem estrutura física e sem a contratação de professores titulados, os dois cursos correm o risco de ser extintos, pois ainda dependem de avaliação para serem reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC). Titulação e laboratórios são critérios analisados pelo MEC durante o processo de avaliação dos cursos.

“Estamos desesperados. Há duas semanas boicotamos a aula. Provavelmente faremos um panelaço ou um apitaço na terça-feira”, explica Zuliani, durante a assembléia que terminou após o fechamento desta edição.

Passeata

Os estudantes, que lotaram um auditório com capacidade para 250 pessoas e se esparramaram pelas imediações do local, também votariam ontem à noite uma “visita” à reitoria e uma passeata pela cidade.

No sábado passado, munidos de faixas, cartazes e apitos, 50 deles já fizeram uma passeata no Calçadão da Batista de Carvalho para protestar contra a diminuição no quadro de professores concursados. A mobilização vai além do câmpus de Bauru.

Segundo Zuliani, que cursa o 2º ano de pedagogia, também estão organizados os estudantes da Unesp de Presidente Prudente, Franca, Araraquara e Marília. Mesmo assim, a reitoria parece implacável e não se pronuncia sobre o assunto.

Há uma semana, o diretor da Faculdade de Ciências, José Brás Barreto de Oliveira, teria reiterado que a contratação de professores temporários foi uma decisão da reitoria para a Unesp para diminuir custos.

“Sem orçamento, instalaram unidades diferenciadas. Eles descobrem um santo para cobrir outro”, critica Zuliani. Através dessas unidades, o número de câmpus subiu de 15 para mais de 20.

As unidades descentralizadas não apresentam a mesma infra-estrutura dos câmpus já existentes, que respeitam o estatuto da universidade. O número de docentes e os escritórios administrativos são reduzidos, informou o reitor da Unesp, José Carlos Souza Trindade, em matéria publicada pelo JC há um ano.

Para piorar a situação de escassez de professores titulares, um levantamento da própria universidade de Bauru, realizado no início do último mês, apontou que 21,6% dos 361 professores ativos das três faculdades da instituição na cidade entraram com pedido de aposentadoria ou a conquistaram recentemente.

Com a falta de professores efetivos, que são contratados em regime de dedicação integral, os alunos não têm a quem recorrer para orientação de pesquisas. Na avaliação dos manifestantes, essa também seria uma das desvantagens de se contratar apenas conferencistas. Uma outra é que esses profissionais contratados temporariamente só podem atuar durante 89 dias, tempo insuficiente para completar um semestre.

Em função do horário, a reportagem não conseguiu localizar a direção do câmpus de Bauru.