O secretário municipal de Finanças, Raul Gomes Duarte Neto, protocolou ontem à tarde, na Delegacia Seccional de Polícia, um boletim de ocorrência de preservação de direitos em relação à gravação em fita cassete feita pelo vereador João Parreira de Miranda (PSDB). Conforme o vereador, as gravações confirmariam a existência de problemas envolvendo esquema no pagamento de fornecedores da prefeitura local.
O secretário disse que o boletim visa preservá-lo do conteúdo da conversa mantida com o vereador. Segundo Parreira, as gravações entregues ao Ministério Público (MP) servem de suporte às conversas mantidas com empresários que falaram sobre suposta cobrança de propina para o recebimento de créditos junto ao governo.
Raul Duarte confirma que conversou com o vereador nas últimas semanas. “Conversei com o João Parreira assim como converso com outros vereadores e até munícipes. Em função da função que exerço, tenho que atender a todos os que me procuram”, comenta.
O secretário diz que não sabia que tinha sido gravado. “Soube através do jornal que fui gravado pelo vereador e fiquei surpreso. Isso me leva a registrar o boletim de preservação de direitos.”
Em relação aos comentários que fez com Parreira nas conversas, Duarte falou que vai verificar os assuntos que tratou em um livro pessoal de anotações. “Não sei quais são as denúncias. Tão logo tenha conhecimento das gravações eu falo com a imprensa”, diz.
Para o autor das denúncias, o secretário de Finanças não deve se preocupar em preservar direitos. “Não precisa preservar nada porque o conteúdo é sobre problemas da administração, portanto, de interesse público. Nenhum assunto pessoal ou particular foi tratado. O conteúdo das fitas fala por si só, mostrando que os problemas estão ao lado do prefeito”, comenta Parreira.
Apuração
O registro do B.O. foi feito pelo delegado Seccional em exercício, J.J. Cardia. Ele conta que a medida tem a função principal de preservar direitos. “A preservação é em relação ao conteúdo das gravações que não é conhecido até este momento”, aponta.
A Seccional instaurou um inquérito para apurar a denúncia inicial, que contém o primeiro e único diálogo divulgado até agora, mantido entre Parreira e o empresário Antonio Roberto Palharim. Na conversa, Palharim fala sobre suposto esquema de pagamento de propina para receber créditos.
No inquérito, o empresário que prestou serviços de locação de máquinas para a prefeitura nega a versão dada ao vereador. “Este boletim do secretário pode ou não ser inserido no inquérito já em andamento. Depende do conteúdo das gravações, que só será conhecido após a perícia das fitas”, antecipa.
O prefeito Nilson Costa (PTB) apoiou a medida adotada pelo secretário de Finanças. “O secretário foi firme ao lavrar o boletim. De repente uma conversa dele vem ao ar e onde está a privacidade das pessoas?”, comenta.
Para o prefeito, a situação está sendo criada. “Tudo isso é coisa fabricada. Quer se criar um clima em Bauru na qual se pega um telefone e conversa com uma pessoa e no dia seguinte o vereador divulga na tribuna da Câmara Municipal”, fala.
O promotor criminal João Henrique Ferreira prometeu analisar o conteúdo das gravações para decidir pela divulgação pública do conteúdo. “Se as conversas versarem sobre questões públicas, a sociedade tem o direito de saber e o conteúdo das conversas será disponibilizado”, define.