09 de julho de 2026
Geral

Para diretor da Sucen-SP, a leishmaniose não tem solução

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

A leishmaniose é uma doença sem solução imediata e a população deve aprender a conviver com ela. A afirmação é do diretor da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) no Estado de São Paulo, Luiz Jacinto, que esteve ontem em Bauru em reunião com a Secretaria Municipal de Saúde e a Diretoria Regional de Saúde de Bauru (DIR-10), na tentativa de avaliar as estratégias usadas até o momento para o controle da doença e definição de novas metas - que não chegaram a ser traçadas.

Em Bauru, já foram confirmados 14 casos humanos e uma vítima fatal da leishmaniose visceral, desde o ano passado. Até o início deste mês, o Departamento de Saúde Coletiva (DSC) já havia registrado cerca de 500 cães contaminados pela doença, além de 150 mortos e 193 que já haviam sido sacrificados. Segundo informações do Conselho Municipal de Saúde, a doença se manifestou pela primeira vez em Bauru em 1999.

Na opinião de Jacinto, o trabalho para o controle da leishmaniose é lento e exige esforço articulado de diversos órgãos da Saúde e da administração pública. “Isso vai do atendimento ao paciente e medidas ambientais ao controle da população canina e do mosquito palha. Isto vem sendo feito na região, e agora, deverá ser feito de maneira mais articulada”, afirma.

No entanto, matérias publicadas recentemente no JC trouxeram a opinião de diversos especialistas que indicaram que as ações da Secretaria de Saúde não estariam conseguindo conter a leishmaniose na cidade. Entre os principais problemas apontados estão a falta de profissionais e estrutura adequada para a captura e sacrifício dos cães - principal hospedeiro da doença -, além da ausência de campanhas educativas junto à população e falta de diálogo e parceria entre o município e o Estado.

A leishmaniose é transmitida a cães e humanos através da picada do mosquito palha infectado. A doença tem tratamento em humanos mas pode levar à morte porque debilita o sistema imunológico do paciente. Em cães, não há cura e os animais doentes devem ser sacrificados.

Jacinto comenta que a presença da leishmaniose visceral em uma cidade do porte de Bauru, com mais de 370 mil habitantes, é um desafio, mas que o Estado tem apresentado bons resultados no controle da epidemia.

“Tivemos cerca de 140 casos em 2003 em São Paulo. No Mato Grosso do Sul, que tem população muito menor, foram confirmados 222 casos, sendo 83 somente em Três Lagoas, cidade muito menor do que Bauru. Isso mostra que os esforços estão controlando a doença”, argumenta.

O diretor da Sucen observa que a extinção do mosquito palha, transmissor da doença, é praticamente impossível, por conta de sua fácil proliferação em áreas com material em decomposição, como terrenos baldios com lixo.

“Esta, infelizmente, é uma doença que veio para ficar. Mas podemos reduzir o número de casos humanos e caninos. A população canina vai sofrer ainda por um período, porque a eliminação do mosquito é impossível. Temos que aprender a conviver com a doença, pois não existe uma maneira milagrosa para controlá-la”, declara.

Jacinto ressalta que a Sucen não tem a posição de cobrar ações da administração municipal ou estadual, mas sim de tentar elaborar um trabalho em conjunto. “Estabelecemos metas para serem feitas a curto, médio e longo prazos, de comum acordo entre todos. O Estado pode ajudar, pois existe um repasse de recursos federais em haver, e uma pressão nesse sentido pode ajudar a administração municipal no combate à doença. A captação de recursos para isso é questão de prioridade”, conclui.

____________________

Dengue

Segundo Luiz Jacinto, diretor da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) no Estado de São Paulo, a dengue não deve apresentar altos índices de contaminação neste ano. Em Bauru, até o momento, foram confirmados apenas três casos desde o início do ano - todos importados (contraídos em outra localidade). No mesmo período de 2003, mais de dez pessoas já haviam sido infectadas. Durante todo o ano passado, Bauru registrou 146 casos de dengue.

“O programa de controle da dengue já está estabelecido. O período endêmico (em que a doença mais se manifesta) normalmente ocorre entre março e abril, mas acreditamos que teremos uma diminuição do número de casos em todo o Estado, que seria um resultado natural do esforço das campanhas e ações contra a doença. Mas temos que continuar, pois é neste período que o mosquito Aedes aegypti está mais vulnerável”, diz Jacinto.