09 de julho de 2026
Polícia

Estudante é morto em frente à escola

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Um estudante foi morto e outro baleado ontem à noite em frente à escola Carlos Chagas, na Vila São Paulo. Uma briga por causa de namorada teria motivado o 14º homicídio registrado em Bauru neste ano. Por sorte, o crime não provocou outras vítimas. No momento dos disparos, vários jovens matriculados na escola estavam reunidos na quadra 5 da rua Sebastião Ferraz da Costa. Até o fechamento desta edição, a polícia não havia divulgado os nomes nem as idades das vítimas.

Informações extra-oficiais dão conta de que o local é ponto de encontro de alguns estudantes, que ficam concentrados em torno de um sofá instalado na rua por um vizinho da escola. Até o estofado teria sido perfurado por uma das cinco balas disparadas. Uma outra teria atingido a lateral do corpo do rapaz que foi socorrido com vida até o Pronto-Socorro Central por uma unidade de resgate do Corpo de Bombeiros.

A vítima fatal teria sido ferida no peito e morreu no local, conforme a equipe do JC constatou. Mesmo assim, bombeiros prestaram atendimento, trabalho acompanhado por várias testumunhas e populares. Em meio à aglomeração, muita gente chorava e apresentava sinais de revolta. O medo de represálias era generalizado.

“Esta noite eu sei que não vou dormir. Não saio mais de casa. Didi era trabalhador e estudava aqui. Ele (quem atirou) é violento, qualquer coisa fala que vai buscar a arma”, comentou uma pessoa que assistiu o homicídio.

O responsável pelos disparos teria atirado nas vítimas e fugido a pé. Os dois atingidos, mesmo feridos, correram pela rua e caíram poucos metros depois, onde permaneceram até a chegada da Polícia Militar (PM) e do Corpo de Bombeiros. Até o fechamento desta edição, a PM realizava diligências pelo bairro para encontrar o autor dos disparos. Suspeitos foram abordados pouco depois do registro do assassinato.

Comoção

Em alguns momentos, o trabalho policial precisou ser interrompido devido à aglomeração de curiosos, principalmente após o encerramento das aulas na escola Carlos Chagas. A PM chegou a interditar uma rua. Vários estudantes buscavam informações enquanto outros se comoviam ao tomar conhecimento do fato ocorrido com o colega de escola, que não assistiu às aulas.

“Por isso eu repito tanto para meus filhos não faltarem. Hoje foi a mesma coisa, parece que eu estava pressentindo”, dizia uma mãe repetidas vezes. As pessoas que a acompanhavam reclamavam de insegurança no local do crime.

No entanto, o problema não está restrito às imediações da escola Carlos Chagas. Conforme o JC publicou nesta semana, a Diretoria de Ensino de Bauru requisitou ao Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro-Sul o reforço do policiamento nas proximidades da escola estadual Rodrigues de Abreu, principalmente nos horários de entrada e saída de alunos.

O pedido foi motivado por atritos entre alunos de bairros diferentes que estão estudando no colégio neste ano e pela movimentação de pessoas estranhas nas redondezas da instituição.

Já na escola Plínio Ferraz, na Vila Nipônica, o desentendimento entre dois jovens que não são matriculados na escola mas se conheceram lá, resultou num adolescente de 17 anos baleado na perna.

O garoto foi atingindo em frente à sua casa, na quadra 2 da rua Sadazo Kazai, na noite de terça-feira passada. Também por sorte, os disparos não atingiram outros jovens e engrossaram o ranking de vítimas fatais deste ano, que chega a 14.

O caso anterior de assassinato foi registrado no último domingo, no Núcleo Joaquim Guilherme, onde o cadáver de um homem foi encontrado no quintal de uma casa. Ele teria sido espancado até a morte por dois companheiros. Com as ocorrências desta semana, o total de homicídios em março subiu para quatro. Outras oito pessoas morreram em fevereiro e duas foram mortas em janeiro.

No ano passado, 42 pessoas foram assassinadas na cidade, mas a Polícia Civil registra somente os casos em que a vítima morre no local ou pouco tempo depois.