08 de julho de 2026
Geral

Para reitor, paralisação não tem sentido

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

O reitor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), José Carlos Souza Trindade, afirma que não encontra razões concretas para que os estudantes do câmpus de Bauru promovam uma paralisação geral das atividades na próxima terça-feira. Os universitários vêm se organizando desde a semana passada, na tentativa de pressionar a reitoria a contratar novos professores efetivos para os cursos, que apresentariam defasagem de docentes principalmente por conta do grande número de aposentadorias no último ano.

Anteontem à noite, cerca de 500 estudantes, com representantes de todos os cursos, decidiram em assembléia da Unesp em Bauru pela paralisação geral das aulas e fechamento do câmpus na próxima terça-feira. “Na terça, faremos uma nova assembléia para definir o que vamos fazer. Provavelmente, iremos até a reitoria, com apoio de alunos dos outros câmpus da Unesp, para buscar um diálogo com a direção”, afirma Renata Zuliano, uma das coordenadoras do movimento estudantil.

De acordo com Trindade, houve um número expressivo de aposentadorias no final do ano passado, em razão da reforma da Previdência. Em toda a universidade, 122 professores requisitaram sua aposentadoria. Em Bauru, segundo o reitor, 18 docentes encerraram suas atividades no câmpus.

No entanto, um levantamento do próprio câmpus, realizado no mês passado, apontou que 21,6% dos 361 professores ativos das três faculdades da instituição em Bauru entraram com pedido de aposentadoria ou a conquistaram recentemente.

“Alguns cursos foram mais afetados pelas aposentadorias, mas a Unesp não é contra a realização de concursos. Pelo contrário, abrimos os concursos, mas toda a tramitação demora cerca de seis meses até a contratação dos novos docentes”, argumenta Trindade.

Ele afirma que a única atitude emergencial possível para atender a demanda de docentes é a contratação de professores conferencistas, enquanto os concursos não são concluídos. “Já autorizamos várias contratações de professores conferencistas, na tentativa de superar este problema. E estes não são professores sem qualidade. A maioria é de pós-graduandos, que estão desenvolvendo suas teses de mestrado ou doutorado. Não são pessoas desligadas da universidade e, na maioria das vezes, eles próprios prestarão os concursos para serem efetivados”, observa o reitor.

Os professores conferencistas podem atuar apenas por 89 dias corridos na instituição, e os alunos argumentam que as aulas serão prejudicadas pela insuficiência de tempo para finalizar o conteúdo do semestre. “Isto são menos de três meses de aula. Todos serão prejudicados se tiver um período de aula com um professor e depois outro assumir. Isso se eles conseguirem contratar outro professor para substituir”, indigna-se Renata, que é aluna do 2.º ano de pedagogia.

Concurso

O reitor da Unesp comenta que ainda não tem previsão do número de professores que serão contratados em concurso público. “Isto será em função dos departamentos que foram mais atingidos pelas aposentadorias. No curso de pedagogia, que me parece que é onde estão os alunos que comandam o movimento, somente três professores se aposentaram. Não é uma tragédia tão grande”, declara.

Segundo Renata, uma das principais preocupações dos estudantes é quanto aos projetos de pesquisa e extensão, desenvolvidos necessariamente por professores efetivos. “A Unesp está perdendo em pesquisas e em todos os projetos, porque o professor conferencista não pode levar um projeto adiante”, aponta.

Os alunos também reivindicam a construção de laboratórios, e especialmente, para os cursos de química e pedagogia. Trindade responde que está em desenvolvimento desde 2002 um programa de construção de novos laboratórios, com previsão de 20 mil metros quadrados de novos prédios. O programa será finalizado em 2004.