08 de julho de 2026
Polícia

Transferências lotam ainda mais P1 e P2

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

As penitenciárias de Bauru P1 e P2 receberam, ontem à tarde, 50 detentos provenientes da Capital paulista, agravando ainda mais a situação do sistema carcerário local que sofre há tempos com unidades abrigando número de presos bem acima de suas capacidades.

As transferências integraram uma operação popularmente conhecida por “bonde”, que movimentou várias unidades prisionais da região. No total, 135 presos, originários dos Centros de Detenção Provisória Belém 1 e Belém 2, localizados em São Paulo, foram transferidos para penitenciárias do Interior paulista, como as de Bauru, Marília, Lucélia, Álvaro de Carvalho, Dracena e outras da região Oeste do Estado.

Eles foram transportados pelas rodovias por sete microônibus vigiados por um intenso esquema de segurança comandado pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar, com várias viaturas escoltando o comboio. Ao chegar em Bauru, os 50 detentos foram distribuídos entre as duas penitenciárias - 20 para a P1 e 30 para a P2.

Segundo o coordenador das unidades prisionais da região Noroeste, Antônio Paulo Veronezi, tais operações fazem parte da rotina das instituições. “Elas são corriqueiras. Não constituem nada fora da normalidade”, afirmou.

Apesar das transferências terem aumentado o número de detentos em ambas as penitenciárias, Veronezi ressaltou que a P1 e a P2 não encontram-se superlotadas. “A quantidade de presos pode ser considerada pouco acima de suas capacidades”, garantiu.

Segundo o coordenador, a P1 tem capacidade para abrigar 528 presos. No entanto, ele não soube informar qual a quantidade correspondente da P2 nem a população carcerária atualmente lotada nas duas unidades bauruenses.

Apesar disso, informações obtidas pelo JC junto a funcionários das instituições demonstram que, ao menos na P1, a unidade está prestes a completar o dobro da capacidade. Segundo o JC apurou, a Penitenciária 1 conta atualmente com 1.037 detentos, 509 a mais de sua capacidade e a 19 de atingir duas populações carcerárias. Já a P2 abriga exatos 1.009 presos.

Tal situação não é nova, bem como os números que indicam a provável superlotação destas unidades. Em dezembro do ano passado, reportagem do JC que abordava os indultos - saída temporária dos detentos para comemorar o Natal e o Ano Novo - já informava que a população carcerária da P1 e P2 atingia cerca de 1.000 presos em cada uma.