08 de julho de 2026
Regional

Estação é tombada em D.Córregos

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A estação ferroviária da cidade de Dois Córregos (63 quilômetros a Sudeste de Bauru) foi fundada em 1886 e serviu de cenário para dois longas-metragens premiados do cineasta Carlos Reichenbach: “Alma Corsária”, premiado no Festival de Brasília em 1994 e “Dois Córregos”, premiado no Festival de Gramado, em 1999. A suntuosidade do prédio fez com que ele se tornasse lendário. Na cidade, os moradores acreditam que o imóvel é uma réplica autêntica da estação de Marselha, da França, bombardeada durante a 2.ª Guerra Mundial. O prédio foi tombado pelo município e o processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) está em andamento.

A estação possui fachada e dimensões imponentes, típicas da arquitetura de 1912 quando ela foi construída para sediar a 4.ª Divisão da Companhia Paulista de Estradas de Ferro e em substituição ao antigo prédio.

Em frente ao imóvel, plenamente conservado, está o bebedouro de água para cavalos. Em forma de taça, construído com cimento, também em 1912. Peça de rara beleza que não é encontrada em outras estações ferroviárias, nele pode-se ver o prédio refletido, explica o secretário da cultura do município, Heusner Grael Tablas.

De acordo com o secretário, o município aguarda decisão do Iphan para captar recursos financeiros e recuperar o prédio. Atualmente, somente a fachada está conservada. Um incêndio ocorrido em 2001 destruiu a estação. Os móveis usados pelos ferroviários foram salvos graças à ONG “Terra Viva” que os tinha comprado pouco antes do acidente.

História

Inaugurada em 7 de setembro de 1886, a estação ferroviária de Dois Córregos foi fundada por uma empresa cujos sócios eram o Conde do Pinhal e Benedicto Antônio da Silva. Três anos depois, a ferrovia foi vendida para o “The Rio Claro São Paulo Railway Company”, com sede em Londres. Em março de 1892, ela mudou de dono novamente. Foi adquirida pela Companhia Paulista de Estrada de Ferro.

Em 1912, a antiga estação deu lugar a um novo prédio, maior e com capacidade para abrigar a superintendência da 4.ª Divisão da Companhia Paulista de Estrada de Ferro.

Em 1971, a Companhia Paulista de Estrada de Ferro incorporou as quatro remanescentes do Estado: Mogiana, Sorocabana, Araraquara e São Paulo-Minas, alterando-se a denominação para Fepasa.

Na década de 90, alegando prejuízo, a Fepasa interrompeu o transporte de passageiros, ficando apenas com o de carga. A decisão acarretou o fechamento da maioria das estações, inclusive a de Dois Córregos.

Posteriormente, o então governador de São Paulo, Mário Covas, entregou a ferrovia para a Rede Ferroviária Federal.

O fechamento da estação acarretou grandes prejuízos à história, lembra o secretário. “A estação da cidade passou a ser alvo de invasões por mendigos e desocupados”.

Em 2001, um incêndio atingiu o prédio, afetando a maioria dos cômodos, comenta Tablas. “Um absurdo, mas a fachada e o mobiliário permanecem intactos, permitindo a restauração.”

Na opinião dele, para restaurar a estação seria necessária uma verba de, aproximadamente, R$ 4 milhões. “Depois do incêndio, a prefeitura colocou guardas municipais para fazer a vigilância, muito embora o prédio pertença à Rede Ferroviária Federal.”