É notável o quanto estamos falando a respeito da biodiversidade mundial, ou melhor, a biodiversidade brasileira, já que nesse setor o Brasil é privilegiado. Mas, infelizmente, os comentários não são nada agradáveis, pois o Brasil, a cada ano que passa, está perdendo cada vez mais esse bem tão precioso. Nos últimos anos nos acostumamos a presenciar situações que acabaram se tornando cenas corriqueiras no nosso dia-a-dia, como: “empresa madeireira ilegal é descoberta na Amazônia”, “japoneses apresentam a patente de uma erva típica da região da Amazônia!”, “cientistas franceses descobrem a essência de um dos mais belos perfumes tropicais!”.
Por que nos preocupamos com a Amazônia, se o principal problema do Brasil é a fome? Nós precisamos, sim, pois a exemplo de muitos brasileiros, a Amazônia também está morrendo, também sofre com o descaso dos políticos e suas ambições. A Amazônia chora, chora como uma população carente que já quase foi trocada de mãos, indo pertencer aos EUA, aliás, estes já propuseram trocar a Amazônia pelo perdão da dívida externa. Tolos norte-americanos, aliás tolos de nós brasileiros que não conseguimos usufruir da Amazônia e do que ela pode nos oferecer.
Brasileiros estão morrendo! Pois bem, na Amazônia nós temos ervas medicinais. O que nós não podemos é utilizar dela como fonte de riqueza e exclusão social, exclusão essa não dos brasileiros que anseiam pela vida, mas sim a exclusão brasileira dos seus direitos sobre este bem natural. Já “ofertamos” a nossa Vale do Rio Doce, nossas redes de telefonia e tantas outras empresas de domínio nacional, esperamos que pelo menos a nossa soberania da Amazônia permaneça. (Alexandre Camilo Magalhães - professor de Geografia)