25 de maio de 2026
Tribuna do Leitor

NA LINHA DE FRENTE


| Tempo de leitura: 2 min

O medo tem servido, ao longo da história, como uma estratégia de dominação das elites, que assim conseguem manter a rígida hierarquia social que afasta pobres e ricos, brancos e negros e impede transformações. Vivemos um novo tipo de escravidão. Cidadão é aquele que consome. Quem não tem emprego, não tem capacidade de consumir, é criminalizado. E toda estratégia de sobrevivência da pobreza vira o mal - camelô, flanelinha...

Dentro deste contexto escravocrata, onde o neoliberalismo prega os direitos humanos, mas que na prática a violência e o extermínio são ainda piores que no período da ditadura, a educação exerce (ou pelo menos deveria) um papel importante como baluarte de transformações sociais. Consciente disso, o governo estadual sujeita os trabalhadores em educação a um constante processo de desvalorização, no intuito de descaracterizar o educador, enquanto herói de uma geração que carece de referências humanísticas e intelectuais, nas quais possam creditar seus sonhos e seus anseios.

O professor já foi herói, exemplo a ser seguido, símbolo de status social e intelectual. Agora somos tratados apenas como babás de jovens que sofrem com a falta de perspectivas. A segmentação social e educacional imposta por organismos internacionais que apostam na derrocada do Brasil enquanto potência em desenvolvimento, aliada a elite brasileira temerosa (preconceituosa) com a possibilidade de verem seus domínios ameaçados pelas classes emergentes, comprimem a educação de maneira a não manifestar-se, ou a não ter condições de manifestar-se como pólo gerador de “cabeças pensantes”, nos remetendo a um passado político não muito distante onde prevalecia a política do “pão e circo”, do “tudo sob controle” ou o “eu prendo e arrebento”.

A opressão atual é mais emocional que física. As circunstâncias criadas levam as pessoas a não perceberem o quanto são manipuladas. Seus sonhos são suprimidos, ficando na mente apenas a sensação de incapacidade diante dos fatos. Somente a educação pode gerar condições psico-sócio-culturais para suplantar a lógica empresarial e humanizar as relações humanas que andam esquecidas em nome da sobrevivência dentro de um sistema corrupto e excludente. Já diziam os gregos: “Todo povo que se presta a ser desenvolvido tende a priorizar a prática da educação.”

Cabe a nós, professores, a árdua tarefa de transformar este país num lugar no qual as relações pessoais sejam vistas como algo maior que a ambição capitalista da escravidão dos desejos. Dêem um passo à frente na evolução e serão seguidos de perto pelos vossos alunos, sejam seus heróis (e de nós mesmos), acreditem na vitória inevitável, soem as trombetas diante dos muros de Jericó e eles ruirão diante de vossa persistência. Neste mundo existem os que choram, e os que vendem lenços. Vocês decidem!!! (Professor José Reginaldo Furtado - RG 14.808.646)