09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

"LEISHMANIOSE EM BAURU"


| Tempo de leitura: 3 min

“O cão não é o vilão da história, e sim o mosquito”. (Manfredo Werkhauser – Presidente da Anclivepa – Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais).

Segundo a Fundação Ezequiel Dias – Escola de Saúde Pública de Minas Gerais, uma grande variedade de mamíferos silvestres no meio rural e na zona urbana, além do cão, ratos domésticos e cavalos, são reservatórios do parasita da leishmaniose.

O grande responsável pela leishmaniose visceral ou Calazar é o inseto conhecido popularmente como mosquito palha, birigui ou tatuquiras, cuja atividade é principalmente crepuscular e noturna. Durante o dia, fica abrigado em lugares sombrios e úmidos, protegido do vento, como fendas e espaços entre pedras, ocos de árvores, interior de currais, galinheiros, depósitos e habitações humanas, vivendo os mosquitos adultos cerca de duas a quatro semanas. E como gostam de lugares úmidos, a densidade dos insetos cai muito nos meses mais frios e mais secos, época propícia para dedetizações. Se a partir de 1999, quando surgiram os primeiros sinais da leishmaniose em Bauru, esse serviço profilático tivesse sido feito, hoje a situação não seria tão séria. Incompetência ou descaso?

De acordo com a Superintendência de Controle de Endemias, para o controle da doença é necessário adotar medidas educativas com envolvimento efetivo das equipes multiprofissionais e multiinstitucionais com vistas ao trabalho articulado nas diferentes unidades de prestação de serviço. Também é necessário orientação de medidas de proteção individual, como o uso de mosquiteiros simples, telas finas em portas e janelas de locais onde o mosquito foi encontrado e também o controle químico através da pulverização de piretróides nas unidades domiciliares da área delimitada.

No Caderno de Saúde Pública de abril/junho 95, coloca-se como medidas de controle da doença, além do tratamento dos casos humanos e a eliminação de cães contaminados, a dedetização intra e peridomiciliar nas áreas de risco, assim como se faz com o combate à dengue.

“O combate aos flebótomos (mosquitos transmissores) mediante inseticidas é a medida fundamental. O tratamento dos pacientes, a eliminação dos cães parasitados e a proteção contra a picada dos insetos são recursos complementares”. É o que afirma Luis Rey, parasitologista da Organização Mundial da Saúde.

Como medida para controlar o Calazar em Santarém (Pará), em 1984/85 foram eliminados muitos cães parasitados e introduziu-se o combate aos vetores com o uso de inseticida no intra e extra domicílio. Os pacientes foram tratados e, ao mesmo tempo, deu-se ênfase ao trabalho de educação em saúde sobre a doença. Isto está sendo feito em Bauru?

Numa cidade como Bauru, que conta com várias universidades locais e próximas (como Unesp de Botucatu, Unimar de Marília e outras), um grande contingente poderia ser movimentado em trabalhos comunitários tipo “mutirão de saúde pública” para ajudar na profilaxia da Leishmaniose.

Em Belo Horizonte, a Anclivepa vem orientando os proprietários de cães acometidos e ensinando a borrifar com piretróides a área em torno das casas. Fez também estudos para conhecer os tratamentos feitos no Exterior, e com o protocolo utilizado em países com Espanha, Portugal, Itália e França, os médicos veterinários de Minas Gerais estão tratando, e não sacrificando os cães doentes, e conseguindo bons resultados.

Existem no mercado, hoje, produtos que podem ser utilizados nos cães para evitar que sejam picados pelos mosquitos, tais como a Coleira Scalibor, Pulvex Pour-on (aplicado no dorso do cão uma vez ao mês) e Defendog Spray (para aplicações semanais). Já que a Secretaria da Saúde não está nos protegendo, estando apenas interessada em culpar e massacrar os cães. Proteja o seu animal e a si mesmo através desses produtos e da limpeza constante de seu quintal.

“Temos que exigir medidas profiláticas! Que combatam o mosquito! É um absurdo o que vem acontecendo! Se a doença se alastrar, o próximo cão pode ser o seu!” (Apasfa – Associação Protetora de Animais São Francisco de Assis).

População de Bauru, exija seus direitos. Não deixe que seu melhor amigo seja a próxima vítima do descaso do Poder Público, que nada faz para evitar a doença, mas rapidamente chega para matar. (Dinéia Rasi Baptista – RG 6.343.249)